PL da Misoginia: Câmara pode votar projeto que equipara crime ao racismo

Texto prevê reclusão de dois a cinco anos e suspensão de contas em redes sociais; oposição critica projeto como ameaça à liberdade de expressão

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(Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

A Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira (30) o PL da Misoginia, proposta que equipara o ódio contra mulheres ao racismo. Em caso de aprovação, o crime terá pena de dois a cinco anos de reclusão, acrescida de multa.

Misoginia é o termo usado para descrever o preconceito, a hostilidade ou o desprezo direcionados às mulheres. Ao equipará-la ao racismo, o projeto torna o crime inafiançável, ou seja, o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade, e imprescritível, o que significa que a punição não deixa de ser possível com o passar do tempo.

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O texto também inclui um artigo específico para crimes de discriminação ou preconceito que envolvam misoginia, com pena menor: reclusão de um a três anos e multa. Esse dispositivo segue a mesma estrutura do artigo que já trata de crimes motivados por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Para infrações cometidas no ambiente digital, o texto estabelece a possibilidade de suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais. A pena pode ser agravada quando a conduta for praticada visando à obtenção de vantagem econômica ou ao aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade na internet. O agravante também incide sobre quem já possui expressiva audiência no ambiente virtual.

O substitutivo de Tábata Amaral

A deputada Tábata Amaral (PSB-SP), relatora do projeto na Câmara, elaborou um substitutivo — versão reescrita do texto aprovado pelo Senado. Em sua proposta, ela redefiniu misoginia como a indução ou incitação à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher.

A proposta tem origem no Senado, onde foi apresentada em 2023 pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), e chegou à Câmara após aprovação naquela Casa. No total, 36 projetos relacionados ao combate à misoginia tramitam na instituição.

Tábata Amaral defendeu a urgência da votação. Segundo ela, casos recentes reforçam a necessidade de definir limites sobre o que é tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres.

Oposição critica o texto

A oposição manifestou resistência à proposta. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) definiu o texto como uma aberração. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC), por sua vez, afirmou que o projeto representa uma tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão.

As críticas se concentram no risco de o projeto ser usado para restringir opiniões religiosas ou culturais sobre o papel da mulher na sociedade.

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