Mesmo com a redução das tensões internacionais, a Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 2,66% em maio e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de R$ 9 trilhões, chegando a R$ 9,03 trilhões. O aumento aconteceu porque o governo precisou captar R$ 134,46 bilhões em novos recursos para financiar as contas públicas. Ao mesmo tempo, as dúvidas sobre a economia e a situação fiscal do Brasil fizeram os investidores exigir juros mais altos para emprestar dinheiro ao governo.
O que é a Dívida Pública Federal?
A dívida pública funciona como um empréstimo que o governo faz quando o dinheiro arrecadado com impostos não é suficiente para pagar todas as despesas do país, como saúde, educação, segurança, investimentos e salários dos servidores.
Para conseguir esse dinheiro, o Tesouro Nacional vende títulos públicos, que são papéis comprados por investidores. Em troca, o governo promete devolver o valor no futuro com o pagamento de juros.
Além dos novos empréstimos feitos em maio, a dívida também aumentou porque os juros sobre o valor que o governo já devia continuaram sendo incorporados ao total. Esse efeito acrescentou cerca de R$ 99,94 bilhões ao estoque da dívida.
Os leilões de títulos mostraram que os investidores preferiram aplicações consideradas mais seguras. Dos títulos vendidos pelo Tesouro, 62,51% foram de Taxa Flutuante (LFT), conhecidos como Tesouro Selic. Esses papéis acompanham a taxa básica de juros da economia. Isso significa que, se a Selic subir, o rendimento do investidor também aumenta.
Já os títulos com juros definidos no momento da compra, chamados de prefixados, tiveram menor procura. O mercado demonstrou cautela e evitou assumir rendimentos fixos por um período mais longo diante das incertezas sobre a economia brasileira.
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Quem ajudou a dar mais estabilidade ao financiamento do governo foram os fundos de previdência. Em maio, eles aplicaram R$ 103,69 bilhões em títulos da dívida interna, principalmente nos papéis corrigidos pela inflação (NTN-B). Como esses fundos precisam garantir recursos para pagar aposentadorias no futuro, costumam investir em títulos de longo prazo.
Apesar da pressão para pagar juros maiores, o Tesouro Nacional informou que a composição da Dívida Pública Federal continuou dentro dos limites previstos no Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2026. No fim de maio, os títulos de taxa flutuante representavam 48,99% da dívida, os títulos corrigidos pela inflação 26,26% e os prefixados 21% do total.




