Wilson Pedroso
Wilson Pedroso Mais sobre o autor

Wilson Pedroso é sócio do instituto de pesquisas Realtime Big Data, executivo e consultor político com mais de 30 anos de experiência em campanhas eleitorais. Referência nacional na área, atuou na coordenação estratégica de campanhas majoritárias e proporcionais de importantes lideranças políticas, como João Doria, Bruno Covas e Marçal, com foco em planejamento, gestão e comunicação eleitoral. Ao longo de sua trajetória, também atua como mentor de candidatos, coordenadores e profissionais de marketing eleitoral, sendo reconhecido como um analista político experiente no setor. É autor do best-seller Vencer a Eleição, obra de referência na área. Atualmente, é analista do programa Link Business, da TMC.

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Quando a Copa entra em campo, a política perde espaço

Enquanto Brasília discute pesquisas, alianças e cenários para 2026, milhões de brasileiros estão preocupados com escalações, resultados e classificações

Por Wilson Pedroso | Atualizado em
Torcida brasileira na Brooklyn Bridge, em NY
(Foto: IMAGN IMAGES via Reuters/Caean Couto)

Existe uma ilusão recorrente em Brasília: a de que o país inteiro acompanha a política com a mesma intensidade de quem vive dela.

Não acompanha.

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O início da Copa do Mundo costuma ser um choque de realidade para governos, parlamentares, marqueteiros e pré-candidatos. De repente, temas que dominavam o noticiário perdem força. Debates que ocupavam as redes sociais desaparecem. A atenção do brasileiro muda de assunto.

A política continua acontecendo, mas deixa de ser protagonista.

Quem trabalha há muitos anos em campanhas eleitorais já viu esse filme algumas vezes. Em 1994, o tetracampeonato criou um ambiente de entusiasmo e confiança que acabou influenciando o humor do eleitorado.

Em 2002, a campanha presidencial dividiu espaço com a conquista do pentacampeonato.

Em 2014, mesmo com uma eleição disputadíssima, a Copa realizada no Brasil sequestrou boa parte da atenção nacional durante semanas.

O fenômeno se repete porque o eleitor não vive a política da mesma forma que políticos, jornalistas e estrategistas.

Enquanto Brasília discute pesquisas, alianças e cenários para 2026, milhões de brasileiros estão preocupados com escalações, resultados e classificações. Pode parecer superficial, mas não é. Atenção é um ativo político valioso. Quando ela se desloca, o impacto da comunicação política diminui.


Lançamentos de pré-candidaturas perdem tração. Ataques contra adversários encontram menos audiência. Até pesquisas eleitorais costumam gerar menos debate do que produziriam em períodos normais.

Isso não significa que a política para. Os bastidores funcionam em velocidade máxima. Negociações seguem acontecendo e estratégias continuam sendo desenhadas. A diferença é que quase ninguém fora da bolha está prestando atenção.

Muitos profissionais confundem esse período com estabilidade política. É um erro comum. O fato de uma crise não ganhar manchetes não significa que ela desapareceu. Significa apenas que o país está olhando para outro lugar.

Maquiavel dizia que a política exige compreensão do tempo. Saber quando avançar é importante. Saber quando esperar também.

A Copa costuma ser esse momento de espera.

O jogo eleitoral continua sendo disputado. Mas, por algumas semanas, deixa de ocupar o centro do campo.

Quando o último jogo terminar, a política voltará a ser assunto nacional. As disputas estarão no mesmo lugar. Os problemas também.

O que terá mudado será apenas o foco do eleitor.

E, em política, foco quase sempre vale mais do que discurso.

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