Sabe-se muito bem que o pensamento ideológico tem um efeito colateral previsível: ele reduz a capacidade de análise e favorece fórmulas prontas. Uma das mais recorrentes é o binarismo político essa compulsão de dividir o mundo entre “bons” e “maus”.
Não é novidade. Na Guerra Fria, parte do Ocidente torcia por regimes autoritários apenas porque eles se apresentavam como antiamericanos. Hoje, a lógica reaparece com outras bandeiras, mas com o mesmo vício: a substituição da análise pela torcida.
O problema não é criticar os Estados Unidos ou qualquer potência. Nenhuma delas atua fora de seus interesses. O problema é quando a crítica vira adesão automática a qualquer outro polo, como se a simples oposição já garantisse virtude.
No caso de regimes como o iraniano, por exemplo, há uma tendência recente de romantização que ignora elementos básicos da realidade política do país. Mas isso já não importa tanto quando a ideologia entra em cena.
E é aí que o debate empobrece. Porque, no fundo, o pensamento binário não quer entender o mundo, quer apenas confirmá-lo.
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