O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), promoveu nesta quinta-feira (22/01) uma mudança no comando da Casa Civil, movimento que ocorre em meio a um afastamento crescente em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a uma crise com setores do bolsonarismo.
O então chefe da Casa Civil, Arthur Lima, deixou o cargo e foi deslocado para a Secretaria da Justiça. Para o seu lugar, Tarcísio nomeou Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, pasta responsável pela articulação política do governo paulista.
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A troca ocorre dias após o governador cancelar uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O encontro, inicialmente previsto para 22 de janeiro, foi remarcado para o dia 29, após gerar forte reação entre aliados bolsonaristas.
Nos bastidores, o cancelamento foi interpretado como um sinal claro de distanciamento em relação ao grupo político de Flávio Bolsonaro, que vem pressionando Tarcísio a declarar apoio explícito à candidatura do senador à Presidência da República em 2026. A decisão de não comparecer à visita ganhou ainda mais repercussão quando a agenda oficial do governador indicou apenas “despachos internos” no dia do compromisso.
Aliados do governador afirmam que a relação entre Tarcísio e Flávio Bolsonaro se deteriorou nos últimos meses, marcada por divergências estratégicas e tentativas de interferência na condução política do governo paulista. Tarcísio teria buscado manter uma postura de autonomia, evitando se vincular antecipadamente à disputa presidencial.
Em manifestação pública, o governador negou qualquer movimento em direção ao Planalto e reafirmou que será candidato à reeleição em São Paulo. “Sou candidato à reeleição ao governo do estado de São Paulo. Qualquer informação diferente disso é especulação”, escreveu em rede social. No mesmo comunicado, confirmou a nova data da visita a Jair Bolsonaro e declarou gratidão ao ex-presidente, o que foi interpretado como uma tentativa de diferenciar a relação pessoal com Bolsonaro do embate político com Flávio.
A mudança na Casa Civil também reflete críticas internas à atuação de Arthur Lima, considerado próximo de Tarcísio, especialmente por dificuldades na articulação com prefeitos e na liberação de recursos para municípios do interior, o que aumentou o desgaste político da gestão.
O novo chefe da Casa Civil, Roberto Carneiro, é próximo do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e mantém boa relação com o secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD). A escolha é vista como um movimento para reforçar a articulação institucional e reduzir a dependência do governo paulista em relação ao núcleo bolsonarista.
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Apesar de manter publicamente a lealdade a Jair Bolsonaro, Tarcísio tem sinalizado, segundo aliados, que não aceitará pressões eleitorais antecipadas, especialmente vindas de Flávio Bolsonaro, buscando preservar seu capital político no estado e manter margem de manobra para 2026.
