O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve evitar o confronto direto sobre o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos para não tensionar o encontro previsto com o presidente Donald Trump, em março. A estratégia do Palácio do Planalto é priorizar temas como comércio, combate ao narcotráfico e cooperação econômica.
Em entrevista ao canal indiano India Today, Lula afirmou que pretende “colocar as coisas na mesa” e reforçou a preferência pelo diálogo. O presidente destacou que busca manter boas relações com Washington, independentemente de mudanças políticas na Casa Branca.
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A cautela ocorre em meio a um novo capítulo da disputa comercial nos EUA. Nesta sexta-feira (20/02), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que parte das tarifas impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) é ilegal. O tribunal entendeu que o presidente não pode impor taxas amplas sem autorização expressa do Congresso.
Em resposta, Trump anunciou uma sobretaxa global de 10%, com base na Seção 122 da Lei Comercial de 1974, que permite a aplicação temporária de tarifas em caso de problemas no balanço de pagamentos. A medida entra em vigor na próxima terça-feira (24).
Apesar do cenário de incerteza, Lula evitou elevar o tom. Disse que o Brasil prefere negociar antes de adotar qualquer retaliação e ressaltou que não colocará em discussão a soberania nacional ou a democracia brasileira. Também voltou a defender soluções diplomáticas para disputas internacionais e afirmou que o mundo não precisa de uma nova Guerra Fria entre Estados Unidos e China.
A decisão da Suprema Corte foi recebida por integrantes do Planalto como um sinal favorável ao multilateralismo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o efeito imediato do julgamento é positivo para os países atingidos e afirmou que o Brasil conduziu a relação bilateral “de forma impecável”, apostando no diálogo e em instâncias como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
A reunião entre Lula e Trump, prevista para março, deve ocorrer após a agenda do presidente brasileiro na Índia e na Coreia do Sul. O governo brasileiro trabalha para que o encontro tenha foco pragmático e evite temas que possam gerar atritos antes mesmo do início das negociações formais.
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