O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria realizado ao menos três deslocamentos de Brasília ao resort Tayayá, no Paraná, utilizando aeronaves de empresários. As viagens ocorreram em 2025, depois que o magistrado vendeu sua participação no empreendimento. As informações são do jornal “O Estado de S.Paulo”.
As aeronaves pertencem a Paulo Humberto Barbosa, comprador da parte de Toffoli no resort, a Luiz Osvaldo Pastore, empresário do setor de mineração, e à Prime Aviation, companhia que teve Daniel Vorcaro, do Banco Master, como sócio. A assessoria do STF e interlocutores do ministro foram procurados, mas não houve manifestação.
A identificação dos deslocamentos resultou do cruzamento de dados de passageiros que acessaram o terminal de aviação executiva de Brasília durante 2025 com informações sobre a movimentação de servidores que prestam apoio a ministros do STF.
No dia 27 de fevereiro, Toffoli chegou ao terminal às 9h40. Dados da Aeronáutica indicam que uma aeronave da empresa de Pastore decolou às 10h25 com destino a Ourinhos (SP), aeroporto mais próximo de Ribeirão Claro (PR), município onde está localizado o Tayayá.
Na véspera do voo, três funcionários do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) foram enviados a Ourinhos e Ribeirão Claro para “prestar apoio em segurança e transporte para autoridade do STF”.
A aeronave utilizada nessa viagem foi comprada em junho de 2025 por Alberto de Faria Jerônimo Leite. O empresário, próximo a Toffoli, adquiriu o Fundo Arleen, ligado ao Master, e com ele 15% de participação no Tayayá.
Em declaração ao jornal, Leite afirmou que vendeu sua participação em julho para Paulo Humberto Barbosa. Ele não mantém mais vínculos com o negócio. O empresário explicou que aceitou desfazer-se do resort porque recebeu oferta superior ao valor pago meses antes – os valores não foram revelados.
Viagem em junho utilizou avião de Barbosa
O avião de Barbosa partiu de Brasília às 10h25 de 17 de junho rumo a Ourinhos. A entrada de Toffoli havia sido registrada no aeroporto 25 minutos antes. O TRT-2 enviou quatro servidores para “apoio” ao ministro entre os dias 16 e 22 daquele mês.
Barbosa havia comprado, quatro meses antes desse voo de junho, a participação no Tayayá que pertencia à Maridt, empresa familiar de Toffoli. O ministro deixou de ser sócio do empreendimento em 21 de fevereiro quando a venda para Barbosa foi formalizada. Os valores nunca foram divulgados.
Barbosa recebeu R$ 25,9 milhões da J&F em período próximo ao da compra. Ele e o conglomerado afirmaram que o pagamento refere-se a honorários, sem qualquer relação com o resort.
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Deslocamento em julho teve destino a Marília
Os documentos do aeroporto indicam que o terceiro voo foi realizado em 4 de julho, às 10h10, dez minutos após a entrada de Toffoli no aeroporto. Apesar de a aeronave da Prime ter como destino Marília, cidade natal do ministro, o TRT-2 disponibilizou segurança e transporte para “autoridade do STF” em Ribeirão Claro desde a véspera, dia 3.
Há ainda um segundo voo da Prime para Marília, realizado às 11h15 do dia 21 de março, quarenta e cinco minutos depois da entrada de Toffoli no aeroporto. Nesse período, o TRT-2 informa que só disponibilizou equipe de apoio para atuação em Marília.
Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi sócio da Prime até setembro de 2025, quando o banco ficou sob investigação. Essa participação foi vendida a um fundo gerido pela Trustee, gestora de fundos também vinculada ao Master, conforme as investigações da Polícia Federal.
O empresário Pastore também levou o ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em novembro.
A lista de passageiros que acessaram o terminal de Brasília em 2025 conta com 13 registros da presença de Toffoli. As anotações apresentam variações de grafia do nome do ministro e do documento apresentado por ele no momento da entrada.
Dias Toffoli tornou-se sócio do Tayayá em 2021 por meio de uma empresa familiar criada em sociedade anônima e na qual só os irmãos dele apareciam como donos.
Como sócio do negócio, Toffoli vendeu parte da participação ao fundo de investimentos Arleen, vinculado a Daniel Vorcaro. Esse fundo tinha como único cotista o fundo Leal, que por sua vez tinha como único cotista o pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Ambos estão presos.
Dias Toffoli não é o único que teria utilizado aviões operados pelo grupo Prime, segundo registros documentais. Os ministros Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques também viajaram em aviões da empresa.




