O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou uma decisão tomada horas antes e determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal (PF) na operação desta quarta-feira (14) contra o Banco Master seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). Inicialmente, o ministro havia definido que as provas ficariam sob a guarda do próprio STF.
A mudança ocorreu após pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que apontou risco de prejuízo às investigações caso os dispositivos apreendidos não fossem imediatamente submetidos à análise técnico-pericial. Para a PGR, a rápida exploração do material é essencial para identificar a participação de cada investigado nos crimes apurados.
Ao acolher o pedido, Toffoli afirmou que as provas devem ser analisadas pelo titular da ação penal e destacou que o conteúdo apreendido tem alcance mais amplo do que os inquéritos iniciais. Segundo o ministro, os elementos reunidos indicam, em tese, a existência de um esquema de gestão fraudulenta de fundos, desvio de recursos e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master, com suposto aproveitamento de falhas no mercado de capitais e no sistema de regulação e fiscalização.
Para Toffoli, o envio do material à PGR permitirá ao órgão acusador ter uma visão sistêmica dos crimes de grandes proporções que estariam sendo investigados. Ele ressaltou que a centralização das provas na Procuradoria é fundamental para a correta condução do processo.
A decisão foi tomada no mesmo contexto em que o ministro criticou a atuação da Polícia Federal e cobrou explicações, em até 24 horas, do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, pelo descumprimento de prazos fixados na segunda fase da operação Compliance Zero. As medidas autorizadas por Toffoli haviam sido solicitadas pela PGR no início de janeiro, mas a ação policial só foi deflagrada nesta quarta-feira.
A nova fase da operação teve como principal alvo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e incluiu buscas em endereços ligados a familiares dele, como o pai, a irmã e o cunhado. Também foram alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. Durante a ação, a PF apreendeu 39 celulares, 31 computadores, 30 armas, R$ 645 mil em dinheiro vivo e 23 veículos avaliados em cerca de R$ 16 milhões.
Segundo a investigação, há indícios de captação irregular de recursos, aplicação em fundos e posterior desvio de valores para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de parentes. A PF também afirma que novos elementos justificaram a ampliação do escopo das buscas, diante da suspeita de prática de novos ilícitos.
A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o empresário tem colaborado com as autoridades e tem interesse no completo esclarecimento dos fatos. A defesa de Nelson Tanure declarou que confia que as apurações demonstrarão a inexistência de prática ilícita.
O caso Banco Master ganhou repercussão nacional após o Banco Central determinar, em novembro, a liquidação extrajudicial da instituição, diante de suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), em um negócio estimado em R$ 12,2 bilhões. O episódio passou a ser questionado por diferentes órgãos, como o Tribunal de Contas da União (TCU), e é tratado pelo Ministério da Fazenda como possivelmente a maior fraude bancária já registrada no país.
