Uma assembleia geral de estudantes da USP recomendou, na noite de segunda-feira (08/06), o encerramento da greve que durou 54 dias. O placar foi de 323 votos a favor do fim da paralisação contra 255 pela continuidade, com 9 abstenções.
A decisão, porém, não encerra automaticamente o movimento. Cada uma das unidades da universidade precisa realizar sua própria assembleia para deliberar sobre a retomada das atividades.
Como a greve chegou até aqui
A paralisação teve início em 14 de abril e se espalhou por 43 unidades da Universidade de São Paulo (USP). O estopim foi a criação da Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), medida que gerou insatisfação entre os estudantes.
A principal reivindicação era o reajuste do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), auxílio voltado a estudantes em situação de vulnerabilidade. Inicialmente, o movimento exigia equiparação ao salário mínimo paulista, de R$ 1.874. Ao longo das negociações, a demanda foi reduzida para R$ 1.096 mensais.
A reitoria, por sua vez, propôs elevar o benefício de R$ 885 para R$ 912, valor bem abaixo do que os estudantes pediam.
Tensão e intervenção policial
Ao longo de quase dois meses, a greve foi marcada por protestos, piquetes e, em maio, pela ocupação da reitoria. O episódio resultou no acionamento da Polícia Militar.
Algumas unidades já haviam saído da greve antes da assembleia central. A Faculdade de Direito, a Faculdade de Medicina, a Escola Politécnica e campi do interior retomaram o funcionamento normal de forma antecipada.
Nos próximos dias, as demais faculdades deverão se reunir para decidir individualmente sobre o retorno às aulas.
Leia mais: Família de Deolane é investigada por suposta lavagem de dinheiro, diz jornal




