Consumo de ultraprocessados cresce no mundo e preocupa cientistas

Pesquisadores alertam que conveniência e marketing estimulam o consumo excessivo e propõem políticas públicas para frear a tendência

Por Redação TMC | Atualizado em
Corredor de supermercado visto de cima, com prateleiras repletas de produtos organizados por categorias e cores, formando linhas densas e simétricas de embalagens ao longo do espaço.
Entre as medidas defendidas estão: aumento de impostos sobre ultraprocessados, rotulagem mais clara, restrição de publicidade e limitação da venda desses produtos em escolas (Foto: Peter Bond/Unsplash)

Uma série de estudos publicada nesta terça-feira (18/11), na revista The Lancet, alerta para o avanço dos alimentos ultraprocessados e os riscos associados à saúde pública. Os pesquisadores recomendam ações coordenadas para reduzir o consumo global desses produtos, cuja presença na dieta tem crescido nas últimas décadas.

Produzida por 43 especialistas de diferentes países, com destaque para cientistas do Brasil, Austrália e Chile, a coletânea reúne evidências sobre os impactos dos ultraprocessados — alimentos industrializados ricos em açúcar, sal, gorduras e aditivos — no aumento de doenças crônicas e da mortalidade precoce.

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A série também propõe um pacote de políticas públicas voltadas à regulação da produção, comercialização e publicidade desses produtos. O objetivo é conter a escalada de consumo, especialmente entre crianças e adolescentes.

Segundo os dados apresentados, a energia proveniente de ultraprocessados triplicou em países como Espanha e China. No Brasil e no México, o percentual dobrou em quatro décadas. Já nos Estados Unidos e no Reino Unido, mais da metade das calorias consumidas vêm desses produtos há pelo menos 20 anos.

Pesquisadores destacam que o crescimento está relacionado a fatores como praticidade, marketing agressivo e reforço de hábitos desde a infância. “Esses alimentos são projetados para oferecer recompensa sensorial, o que estimula o consumo excessivo”, explica Ana Clara Duran, pesquisadora da Unicamp e coautora da série.

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As evidências científicas apontam ligação direta entre o alto consumo de ultraprocessados e doenças como obesidade, diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e depressão. A exposição contínua a aditivos e compostos químicos também representa risco à saúde.

Entre as medidas defendidas estão: aumento de impostos sobre ultraprocessados, rotulagem mais clara, restrição de publicidade e limitação da venda desses produtos em escolas. Os pesquisadores também defendem o estímulo à produção e ao acesso a alimentos frescos e minimamente processados.

A equipe do Nupens/USP, referência nos estudos sobre o tema, afirma que seguirá investigando os efeitos dos ultraprocessados e o impacto das políticas públicas, além da influência da indústria alimentícia na formulação de regulamentações.

Com informações de Agência Bori.

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