Agência americana confirma início oficial do El Niño

Noaa elevou para 63% a probabilidade de aquecimento igual ou superior a 2°C no Pacífico no fim do ano

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Agência Brasil)

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (Noaa) confirmou nesta quinta-feira (11/06) o início do El Niño, fenômeno climático marcado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do oceano Pacífico próximo à linha do Equador. A agência estima 63% de chance de que o evento atinja nível muito forte entre novembro e janeiro, o que representaria um dos episódios mais intensos desde o início dos registros, em 1950.

Um mês antes, essa mesma probabilidade era de 37%. O salto indica aceleração no desenvolvimento do fenômeno, que já deve chegar ao nível moderado ou forte ainda neste ciclo.

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O El Niño é classificado conforme o grau de aquecimento das águas do Pacífico em relação à média histórica. O nível fraco corresponde a uma elevação de 0,5°C a 1°C. O moderado vai de 1°C a 1,5°C. O forte abrange de 1,5°C a 2°C. Já o muito forte ocorre quando o aquecimento atinge ou supera 2°C.

O fenômeno está ligado ao enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente empurram água quente para o oeste do Pacífico. Quando esses ventos perdem força, o calor se acumula na região central e leste do oceano, e os efeitos se espalham pelo clima global.

Impactos no Brasil

No território brasileiro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) prevê que o El Niño deste ano deve reduzir o volume de chuvas na Amazônia, elevando o risco de fogo no bioma. O ministro Flávio Dino determinou que a União e os estados da Amazônia e do Pantanal apresentem planejamento específico para lidar com o aumento da ameaça de incêndios.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o governo federal está preparado para enfrentar os reflexos do fenômeno.

As regiões Norte e Nordeste costumam registrar menos chuvas em anos de El Niño. O Sul tende a ter maior volume de precipitação. Já o Centro-Oeste e o Sudeste costumam enfrentar temperaturas mais elevadas, especialmente na primavera e no verão.

Leia mais: El Niño: entenda por que fenômeno pode interferir em sua vida

Efeitos globais: Ásia e furacões

No Sudeste Asiático e na Índia, o impacto deve ser negativo para a agricultura. Segundo Kyle Tapley, executivo do WeatherDesk da Vaisala Xweather, as monções, responsáveis por quase 70% das chuvas na Índia, tendem a ser afetadas pelo fenômeno. O setor agrícola indiano representa cerca de 18% de uma economia de quase US$ 4 trilhões.

Na Indonésia, produtores de arroz já antecipam o calendário de plantio. O ministro da Economia da Malásia alertou que o El Niño pode provocar queda de 8% a 10% na produção agrícola do país.

Nos Estados Unidos, o cenário é diferente. Tapley afirmou que o El Niño normalmente leva a uma temporada de furacões menos ativa no país, e que a expectativa é de uma temporada no Atlântico abaixo da média em 2025. A temporada vai de 1º de junho a 30 de novembro. Ele ressaltou, porém, que “um furacão forte ainda é possível mesmo em uma temporada menos ativa”.

O ano de 2024 foi o mais quente registrado no mundo desde o século 19, período em que os registros climáticos sistemáticos tiveram início.

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