O Palmeiras vive um momento de transição forçada. Com o Allianz Parque indisponível devido a reformas no gramado e a agenda de shows da WTorre, o clube transferiu seus jogos para a Arena Barueri. O que parece ser uma solução pragmática, no entanto, tornou-se o centro de uma polêmica que mistura eficiência logística e tensões políticas na gestão de Leila Pereira.
A discussão no programa Papo de Craque TMC 2º Tempo evidenciou uma divergência clara sobre o impacto da mudança para o torcedor. Dados de aplicativos de trânsito sugerem que o deslocamento para Barueri pode ser mais rápido do que para a zona leste de São Paulo, dependendo do ponto de partida. Por outro lado, o acesso via transporte público é duramente criticado.
O jornalista Marco Bello ressaltou que a estação de trem Jardim Belval (Barueri) exige uma caminhada de aproximadamente dois quilômetros por ruas com iluminação precária até o estádio. Em contraste, a Neo Química Arena (Itaquera) foi citada como exemplo de integração, onde o torcedor desembarca praticamente dentro do complexo esportivo.
O debate pontuou que, como a maioria da população paulistana reside na Zona Leste, o deslocamento para a região metropolitana oeste representa um ônus geográfico significativo para a massa torcedora.
O fator Leila Pereira: gestão ou arrogância?
Um dos pontos centrais da análise foi a figura da presidente Leila Pereira. O apresentador Benja ponderou que, embora Leila não seja a culpada direta pela indisponibilidade do Allianz Parque — uma vez que o estádio é gerido pela WTorre —, a forma como ela comunica suas decisões agrava a insatisfação popular.
Segundo os comentaristas, a presidente “exala uma arrogância” e adota uma postura de “dona do clube”, o que cria uma barreira emocional com os sócios e torcedores. O programa traçou um comparativo com o ex-presidente Maurício Galiotte, sugerindo que, se ele tivesse tomado a mesma decisão, a aceitação seria maior devido ao seu perfil mais diplomático e aberto ao diálogo.
A Arena Barueri e o conflito de interesses
Outro elemento que alimenta a discórdia é o fato de a própria Leila Pereira ser a gestora da Arena Barueri através de sua empresa. Isso gera um “ranço” político na torcida, que vê na escolha do estádio uma possível forçação de barra para favorecer outros negócios da mandatária, ainda que a logística de treinamento para a equipe profissional seja considerada positiva.
Como medida para mitigar o sofrimento do torcedor em jogos noturnos — quando o transporte público encerra suas operações logo após o apito final —, foi sugerido que o Palmeiras se espelhasse em clubes como o Santos. O Peixe frequentemente organiza frotas de ônibus para facilitar o deslocamento de seus sócios em jogos distantes de sua base principal.
