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Falta de pesquisas dificulta exploração de potássio no Brasil, aponta Ibram

Diretor do instituto destaca que áreas exploradas hoje foram identificadas nas décadas de 1960 e 1970. Projeto em Autazes pode suprir 20% da demanda nacional

Por Redação TMC | Atualizado em
Vista panorâmica de uma grande mina a céu aberto com degraus escavados em tons de marrom e bege; no fundo, há um vale com pequenas construções e, além dele, cadeias de montanhas altas e rochosas sob um céu carregado de nuvens escuras.
Câmera Fotográfica (Foto: Unsplash)

O diretor de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Julio Nery, afirmou que o Brasil necessita transformar áreas com potencial de mineração de potássio em reservas comprovadas por meio de pesquisas geológicas contínuas. A declaração foi feita neste sábado (06/12), durante entrevista ao Poder360. Segundo Nery, o desenvolvimento de projetos como o de Autazes, no Amazonas, é essencial para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.

“O Brasil tem problemas com a pesquisa. Todas as regiões exploradas hoje foram identificadas nas décadas de 1960 e 1970. Precisa desenvolver mais pesquisas geológicas para fazer esse mapeamento mais correto de regiões promissoras”, disse o diretor do Ibram.

Nery explicou que muitas áreas com potássio foram identificadas de forma indireta, quando a Petrobras realizava prospecção para petróleo e acabava encontrando o mineral. A falta de investimentos em pesquisas geológicas para localizar bacias sedimentares dificulta o desenvolvimento do setor no país.

O Convênio 100 de 1997, que zerou o ICMS sobre fertilizantes, também contribuiu para o problema. “O convênio estabelecia uma tributação que era favorável ao importado. Então, o importado entrava no Brasil sem pagar imposto. Tinha menor competitividade do produto nacional. E por causa disso, as empresas não investiram então em minas. Era mais barato importar”, afirmou o diretor.

Em 2021, o convênio foi reformulado. A isenção total foi substituída por uma tributação gradual de ICMS, que chegará a 4% a partir de 2025. A nova regra vale tanto para produtos nacionais quanto importados e está prevista para vigorar até 2027, conforme as atualizações dos convênios 26 de 2021 e 79 de 2025.

De acordo com o livro “Minerais Críticos e Estratégicos no Brasil: Um Passaporte para o Futuro”, publicado pelo Ibram, existem 304 pesquisas minerais de potássio autorizadas no Brasil e outras 13 em fase de análise.

O Projeto Potássio de Autazes, desenvolvido pela mineradora canadense Brazil Potash (Potássio do Brasil), está localizado a aproximadamente 120 quilômetros de Manaus. O empreendimento, atualmente em fase de implementação, tem previsão de iniciar suas operações em 2030.

Quando estiver em pleno funcionamento, o projeto produzirá 2,2 milhões de toneladas de cloreto de potássio granular por ano, o que corresponde a cerca de 20% da demanda brasileira pelo mineral.

A reserva em Autazes está situada em uma camada subterrânea a aproximadamente 800 metros de profundidade. A área se estende por 13 km de comprimento e 10 km de largura, com espessura média lavrável de 2,5 metros. Para acessar o minério, serão construídos dois poços.

A mina utilizará um sistema de mineração denominado “long room and pillar“. Este método consiste na criação de “Câmaras” (Rooms), que são grandes áreas escavadas formando túneis ou “câmaras” longas, e “Pilares” (Pillars), colunas de minério deixadas intactas para suportar o teto da mina.

A localização do projeto é considerada estratégica devido à proximidade com o Mato Grosso, principal produtor de grãos do Brasil. Esta posição permitirá integrar a logística do potássio ao fluxo de caminhões que transportam safras até os portos da região Norte.

“É necessário avançar em pesquisa mineral e na implantação do projeto de Autazes, por exemplo. Já tem a licença, agora a gente precisa ver esse projeto operando para diminuir então a dependência externa”, declarou Nery.

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