“A lei agora é a lei da selva, a lei do mais forte”, afirma ex-embaixador Rubens Barbosa

O ex-embaixador do Brasil em Londres (1994-1999) e Washington (1999-2004), Rubens Barbosa participou nesta segunda-feira (05/01) do TMC 360

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

O ex-embaixador do Brasil em Londres (1994-1999) e Washington (1999-2004), Rubens Barbosa participou nesta segunda-feira (05/01) do TMC 360 e afirmou que há uma nova ordem internacional na geopolítica global. Ele ainda ressaltou que o Brasil precisa se preocupar com a nova realidade.

“Desde a eleição do Trump mudou a ordem internacional. Não há mais instituições politicas e econômicas com autonomia. Nós tivemos o ano passado inteiro a discussão sobre tarifaço e acabou com a capacidade da OMC de coordenar o comércio global e agora começamos 2026 com a implementação da nova estratégia de segurança nacional americana e a doutrina Monroe”, afirmou o diplomata.

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Ele ainda disse que: “Agora vamos imaginar os próximos passos. Acho que aqui na América do Sul vamos ter a questão da Colômbia e Cuba e possivelmente vamos ter problema com a Europa com a questão da Groenlândia. Isso é um novo mundo, são áreas de influência exercidas sem lei, a lei agora é a lei da selva, a lei do mais forte. Aqui no Brasil temos que nos preocupar com essa nova realidade”.

Assista à entrevista:

ALCA

Ao ser questionado sobre se a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que foi uma proposta de bloco econômico lançada pelos EUA nos anos 90 para criar uma zona de livre comércio entre 34 países americanos (exceto Cuba), tivesse sido aceita pelo Brasil e países da América Latina a situação atual seria diferente Barbosa discordou.

“Não acho, não. Acho que a presença do Trump é um fato singular. Nenhum outro presidente americano ousaria pensar em fazer o que ele está fazendo. Isso é uma mudança completa e vai ter um efeito brutal na sociedade americana e efeito de longo prazo dentro do cenário globo. A negociação da ALCA foi importante e o primeiro governo Lula se opôs a isso, poderia sair, mas com o Trump, o Brasil seria colocado de lado também”, destacou.

China e Rússia

Sobre as posições adotadas por China e Rússia em relação ao ataque à Venezuela, Barbosa disse que já era esperada a postura que os países adotaram,

“A reposta que ele deram ao caso da Venezuela é característica. Fizeram um pronunciamento mais tímido que os europeus, mas vão se limitar a isso, não vão fazer nada a mais. Não vão interferir na ação americana”, afirmou. O diplomata citou a situação entre Rússia e Ucrânia e China e Taiwan para justificar.

Barbosa finalizou sua participação dizendo que ainda é muito cedo analisar o que está acontecendo. “A maior surpresa pra mim foi a pouca reação militar do exército venezuelano. Vamos ver como se fará as negociações da Delcy Rodriguez com os americanos. Ela fez um discurso muito duro e isso vai acarretar consequências. Aconteceu alguma coisa para ter essa rapidez nessa ação de captura e não sabemos qual foi o contexto”.

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