Quem é Andrew Tate, influenciador preso nos EUA, e qual sua relação com a machosfera

Ex-lutador de kickboxing ganhou milhões de seguidores com discursos sobre masculinidade, riqueza e relacionamentos, mas também acumula acusações criminais e críticas por promover misoginia

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Andrew Tate
(Foto: Andrew Tate via X)

A prisão de Andrew Tate e de seu irmão, Tristan Tate, nos Estados Unidos, em cumprimento a um pedido de extradição do Reino Unido, voltou a colocar em evidência um dos influenciadores mais polêmicos da internet. Ex-campeão mundial de kickboxing, Andrew se tornou conhecido por discursos sobre masculinidade, riqueza e relacionamentos, tornando-se uma das principais referências da chamada machosfera.

Andrew Tate, que tem dupla cidadania britânica e norte-americana, abandonou a carreira nos esportes de combate para atuar como empresário e criador de conteúdo nas redes sociais. A partir de 2022, passou a reunir milhões de seguidores ao publicar vídeos exibindo uma rotina de luxo, com carros esportivos, jatos particulares e mansões, enquanto defendia o que chamava de estilo de vida “alfa”.

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Além das redes sociais, Tate lançou plataformas pagas voltadas ao público masculino, como a Hustler’s University, posteriormente rebatizada de The Real World. Nos cursos, prometia ensinar estratégias para enriquecer por meio de investimentos, comércio eletrônico e outras atividades digitais.

Ao mesmo tempo, o influenciador acumulou críticas por declarações consideradas misóginas. Entre elas, afirmou que mulheres seriam propriedade dos maridos e fez comentários responsabilizando vítimas de estupro pelos crimes sofridos. Por causa desse tipo de conteúdo, teve contas suspensas ou banidas em plataformas como YouTube, Instagram, Facebook e TikTok, embora seus vídeos continuassem circulando por perfis de apoiadores.

O que é a machosfera

A machosfera — ou manosphere, em inglês — reúne uma rede de fóruns, influenciadores e comunidades online dedicadas a discutir masculinidade. Embora tenha surgido como espaço para debates sobre questões masculinas, o termo passou a ser associado principalmente a grupos que promovem misoginia, antifeminismo e uma visão hierárquica das relações entre homens e mulheres.

Dentro desse universo existem diferentes grupos, como os chamados red pillers, que defendem a ideia de que os homens seriam prejudicados pelo feminismo e pela sociedade contemporânea; os PUAs (pick-up artists), focados em técnicas de sedução; os incels, comunidades marcadas pelo ressentimento contra mulheres; e os MGTOW, que defendem evitar relacionamentos duradouros.

Como Tate se tornou um dos principais nomes do movimento

Andrew Tate não criou a machosfera, mas foi responsável por ampliar seu alcance. Em vez de restringir essas ideias a fóruns da internet, ele as adaptou ao formato de vídeos curtos e altamente compartilháveis em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube.

Seu conteúdo combina ostentação financeira, promessas de sucesso profissional e discursos sobre masculinidade, atraindo principalmente adolescentes e jovens adultos. A partir desse interesse, Tate apresenta conceitos ligados ao movimento “redpill”, como a ideia do “homem de alto valor”, que associa o sucesso masculino ao domínio financeiro, força física e controle sobre os relacionamentos.

Críticos afirmam que essa estratégia funciona como uma porta de entrada para conteúdos cada vez mais radicais da machosfera, ao reforçar narrativas de que o feminismo, a mídia e as instituições estariam enfraquecendo os homens.

Leia mais: Influenciadores ‘red pill’ Andrew e Tristan Tate são presos nos EUA após pedido de extradição do Reino Unido

Acusações criminais

Além da atuação como influenciador, Andrew Tate enfrenta uma série de investigações criminais em diferentes países.

Ele e Tristan Tate são procurados pela Justiça britânica para responder a acusações de estupro e tráfico de pessoas relacionadas a supostos crimes ocorridos entre 2012 e 2015. Neste sábado (18), os dois foram presos em Miami, nos Estados Unidos, em cumprimento ao pedido de extradição apresentado pelo Reino Unido.

Os irmãos também foram presos na Romênia, em dezembro de 2022, sob acusações de tráfico de pessoas, estupro e formação de organização criminosa. As investigações alegam que mulheres teriam sido recrutadas por meio de falsas promessas de relacionamento para produzir conteúdo adulto.

Andrew e Tristan Tate negam todas as acusações e afirmam que são alvo de perseguição política e institucional. Os processos seguem em andamento.

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