Musk diz que críticas ao Grok buscam justificar censura ao X

Declaração ocorre em meio a investigações no Reino Unido e na Europa sobre imagens sexuais geradas por inteligência artificial

Por Redação TMC | Atualizado em
Elon Musk participa do Fórum de Investimentos EUA–Arábia Saudita, em Washington, D.C
Elon Musk é convocado para depor em investigação contra o X na França. (Foto: Evelyn Hockstein/Reuters)

Elon Musk afirmou que as críticas à rede social X buscam “qualquer desculpa para censura” em meio à polêmica envolvendo o chatbot de inteligência artificial Grok, acusado de gerar imagens sexualizadas não consensuais de pessoas reais, incluindo mulheres e crianças. O caso provocou reações de autoridades regulatórias e do governo do Reino Unido, além de críticas de políticos de diferentes espectros.

A agência reguladora britânica Ofcom informou que abriu uma avaliação urgente sobre a atuação do X após denúncias de uso do Grok para criar imagens sexualizadas sem consentimento. A secretária de Tecnologia, Liz Kendall, declarou apoio à iniciativa e classificou a manipulação sexual de imagens de mulheres e crianças como “desprezível e abominável”. Segundo ela, o governo espera uma atualização da Ofcom em poucos dias.

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Usuários relataram que a versão gratuita da ferramenta de IA foi utilizada para “despir” mulheres digitalmente e colocá-las em situações sexuais sem autorização. Em alguns casos, as imagens aparentavam envolver menores de idade, o que levantou suspeitas de possível produção de material ilegal.

Diante da repercussão, o X limitou o uso da função de geração e edição de imagens por IA apenas a assinantes pagantes. A decisão foi criticada por Downing Street, sede do governo britânico, que classificou a mudança como “insultuosa” para vítimas de violência sexual. Na própria plataforma, o Grok passou a informar que os recursos de imagem estavam restritos a usuários que pagam mensalidade.

A xAI, empresa de inteligência artificial de Musk, reconheceu que “falhas nos mecanismos de proteção” permitiram a geração de imagens sexualizadas de menores. Em comunicado, a empresa afirmou que está implementando melhorias urgentes para evitar novas ocorrências e reforçou que qualquer material de abuso sexual infantil é ilegal e proibido. Autoridades da França também acionaram o órgão regulador Arcom para apurar possíveis violações à legislação europeia de serviços digitais.

A Ofcom afirmou que entrou em contato com o X e estabeleceu um prazo para explicações, já tendo recebido resposta da empresa. Pela Lei de Segurança Online, o regulador pode solicitar medidas judiciais que restrinjam o acesso ao X no Reino Unido caso a plataforma descumpra determinações legais. Kendall disse que o órgão terá apoio total do governo se decidir bloquear a rede social no país.

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A reação política foi ampla. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou o episódio como “vergonhoso” e “nojento”. O líder do Reform UK, Nigel Farage, considerou o caso “horrível”, mas afirmou que um eventual banimento do X representaria um ataque à liberdade de expressão. Já os sociais-democratas defenderam a restrição temporária do acesso à plataforma enquanto as investigações estiverem em curso.

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