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Ibaneis Rocha enfrenta dois pedidos de impeachment por negociações entre BRB e Banco Master

Documentos protocolados por partidos de oposição apontam supostos crimes de responsabilidade do governador do DF durante tentativa de compra barrada pelo Banco Central

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, tornou-se alvo de dois pedidos de impeachment protocolados na Câmara Legislativa relacionados às negociações entre o BRB e o Banco Master. Os documentos foram apresentados por partidos de oposição nesta semana. O presidente da Casa Legislativa, Wellington Luiz, afirmou na segunda-feira (26/01) que só vai se manifestar sobre os pedidos após o término do recesso parlamentar, que se encerra nesta segunda-feira (02/02).

Os pedidos de impeachment apontam supostos crimes de responsabilidade cometidos pelo governador do MDB durante a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Além disso, Ibaneis também enfrenta dois pedidos de investigação encaminhados ao Ministério Público Federal sobre o mesmo caso.

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O primeiro pedido de impeachment foi assinado por quatro integrantes do PSB-DF (Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro), pelo presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque, e por dois advogados (Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano). O segundo documento partiu de três membros do PSOL-DF: a presidente regional Giulia Tadini e os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel.

Contexto das operações financeiras

O governo do DF controla 71,92% do capital do BRB. Durante 2025, o banco público tentou adquirir parte significativa do Banco Master, operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central.

A situação complicou-se quando o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Master após identificar suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito para o BRB, em transações que totalizaram R$ 12,2 bilhões. O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, operações nas quais o Ministério Público encontrou indícios de gestão fraudulenta.

Em declarações à TV Globo, Ibaneis Rocha admitiu ter se reunido pelo menos quatro vezes com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, entre 2024 e 2025. O governador negou, porém, que nesses encontros tenha discutido a compra do Master pelo BRB.

Acusações no primeiro pedido de impeachment

No documento assinado por membros do PSB, Cidadania e advogados, são apontados sete crimes de responsabilidade. Entre eles está a “omissão dolosa em tornar efetiva a responsabilidade de subordinados”. O texto alega que dirigentes do BRB praticaram atos contrários à Constituição Federal e à Lei Orgânica do DF, sem que o governador determinasse a responsabilização administrativa desses gestores.

Os autores afirmam que, embora Ibaneis não tenha assinado pessoalmente o contrato de aquisição, a operação foi “politicamente estimulada e institucionalmente respaldada” pelo Governo do DF. Outra acusação indica que o governador encaminhou a proposta para aprovação da Câmara Legislativa “com o objetivo de convalidar operação já reputada irregular pelo Poder Judiciário”.

O documento também aponta que Ibaneis teria “politizado” a decisão técnica do Banco Central de barrar a compra do Master. Além disso, o governador “defendeu publicamente operação financeira de altíssimo risco” e “assumiu postura defensiva da operação mesmo após a prisão de Vorcaro, dono do Banco Master”.

Entre as infrações listadas estão também a ordenação de despesas sem autorização legal prévia, já que a operação para compra do Master começou antes da autorização da Câmara Legislativa, e a efetivação de operações de crédito sem aval legislativo.

Acusações do PSOL

No pedido protocolado pelo PSOL, Ibaneis é acusado principalmente de atentar contra a probidade na administração e o emprego do dinheiro público. Segundo o documento, o governador, “na qualidade de Chefe do Poder Executivo e acionista controlador indireto do BRB”, teria impulsionado e defendido publicamente uma operação de elevado risco.

Mesmo após o Banco Central barrar a compra do Master pelo BRB, Ibaneis teria declarado que “a operação evitaria risco ao sistema financeiro por possível descapitalização do Master, somada ao aceno posterior de que o DF teria mais de R$ 200 bilhões em patrimônio imobiliário”.

O PSOL também acusa o governador de negligência com o patrimônio público. O texto afirma que Ibaneis “tinha o dever institucional de zelar pela conservação do patrimônio público e de impedir a exposição temerária do principal ativo financeiro do Distrito Federal a riscos incompatíveis com a prudência e a boa administração”.

Pedidos de investigação ao MPF

O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) apresentou na sexta-feira (23/01) um pedido de investigação ao MPF. O documento, endereçado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicita também o bloqueio de bens do governador do DF.

O texto afirma que a transação bilionária entre o BRB e o Master avançou com apoio político, mesmo diante de alertas regulatórios e da posterior rejeição pelo Banco Central. O documento pede a coleta de provas e depoimentos pela Polícia Federal, acesso a documentos de relatórios de risco e auditorias do BRB, responsabilização de outros envolvidos e apresentação de denúncia ao STJ, caso os crimes sejam confirmados.

Na segunda-feira (26/01), outro pedido de investigação foi enviado ao MPF e ao Superior Tribunal de Justiça pelos partidos PT, Rede, PDT, PCdoB e PV. Eles solicitam a apuração de possíveis crimes e atos de improbidade administrativa supostamente cometidos por Ibaneis Rocha “em face de prováveis ações e omissões ocorridas na gestão do BRB”.

O documento pede que a Notícia de Fato seja admitida, com a consequente intimação da Procuradoria-Geral da República para promover inquérito sobre possíveis crimes comuns e improbidade administrativa. Os partidos também requerem que o governador “seja afastado das atividades institucionais durante a investigação a fim de evitar qualquer obstaculização, diante da influência institucional demonstrada”.

Tramitação do processo de impeachment

Para que os pedidos avancem na Câmara Legislativa do DF, o processo precisa seguir um rito específico. Inicialmente, a denúncia deve ser aceita pelo presidente da Casa, Wellington Luiz, do MDB.

Após a aceitação, o pedido é lido em Plenário e uma Comissão Especial é criada com representantes de todos os partidos. Esta comissão deve se reunir em até 48 horas após a leitura da denúncia e emitir um parecer no prazo máximo de 10 dias.

O parecer será votado em Plenário, 48 horas após sua publicação. Nesta fase, cinco representantes de cada partido poderão se manifestar durante uma hora sobre o documento, antes da decisão sobre o prosseguimento da denúncia.

Se a decisão for pela continuidade do processo, o governador terá 20 dias para apresentar sua defesa. Após o recebimento da defesa, a Comissão Especial terá 10 dias para produzir provas, realizar diligências e decidir sobre a acusação.

O processo segue com duas discussões sobre a denúncia, com intervalo de 48 horas entre elas. Por fim, o parecer é submetido à votação nominal, sendo necessária aprovação por dois terços dos membros da CLDF para que o impeachment seja efetivado.

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