A Polícia Federal encontrou mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que mostram reclamações sobre cobranças para realizar pagamentos ao resort Tayayá, empreendimento que tinha participação societária do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Os diálogos, obtidos neste sábado (14/02) pelo Estadão, revelam que os repasses ao resort somaram R$ 35 milhões, conforme informações trocadas entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel.
O relatório da PF contendo as conversas foi compartilhado com todos os ministros do STF e com a Procuradoria-Geral da República. Segundo apurou o jornal, as investigações apontam que Vorcaro ordenou transferências milionárias ao resort onde a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio junto com seus irmãos, mantinha participação.
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As mensagens datam de 2024, três anos depois que os irmãos de Toffoli venderam metade de sua participação no resort, avaliada em R$ 6,6 milhões, para um fundo da Reag controlado por Zettel. A empresa Maridt completou a venda de sua participação no Tayayá em fevereiro de 2025.
Em maio de 2024, Vorcaro questionou Zettel: “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
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Em uma lista de pagamentos apresentada por Zettel para aprovação, constava “Tayaya – 15”, interpretado pela PF como um repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento.
Meses depois, em agosto, o banqueiro voltou a cobrar: “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, demonstrando irritação posteriormente: “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.
Em outro diálogo, quando Vorcaro pediu detalhes sobre os aportes realizados, Zettel informou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”, confirmando o total de R$ 35 milhões em repasses.
Na quinta-feira (12), um dia após vir à tona a existência do relatório da PF com as conversas mencionando Toffoli, o ministro deixou a relatoria do caso Master no Supremo. O inquérito foi redistribuído e agora está sob responsabilidade do ministro André Mendonça.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, analisa o material, mas ainda não tomou providências sobre seu conteúdo. As investigações prosseguem para esclarecer todos os aspectos do caso, incluindo quem realizava as cobranças mencionadas por Vorcaro e a natureza exata dos pagamentos.
As defesas de Toffoli, Vorcaro e Zettel foram procuradas, mas ainda não se manifestaram sobre o caso.
Em nota divulgada anteriormente, o ministro Dias Toffoli negou ter recebido valores do banqueiro:
“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.”
