Vila Isabel e Salgueiro se destacam no terceiro dia do carnaval carioca

Escolas apresentaram enredos sobre Heitor dos Prazeres e Rosa Magalhães, respectivamente, enquanto Paraíso do Tuiuti abriu a noite com tradições africanas e Grande Rio trouxe o Manguebeat

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Tita Barros/Reuters
Foto: Tita Barros/Reuters

Acadêmicos do Salgueiro e Unidos de Vila Isabel destacaram-se entre as quatro escolas que desfilaram na terceira noite do Grupo Especial do carnaval carioca, na madrugada desta quarta-feira (18/02). Paraíso do Tuiuti e Grande Rio também cruzaram a Marquês de Sapucaí, completando a programação que começou na noite de terça-feira (17/02). Todas as agremiações cumpriram o limite máximo de 80 minutos estabelecido para cada apresentação.

O Paraíso do Tuiuti abriu as apresentações com o enredo “Lonã Ifá Lukumí”, seguido pela Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos da Grande Rio e, por fim, Acadêmicos do Salgueiro. Estas escolas complementaram o ciclo de apresentações iniciado nas duas primeiras noites, quando desfilaram Imperatriz Leopoldinense, Estação Primeira de Mangueira, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro, Acadêmicos de Niterói, Portela, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca.

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Paraíso do Tuiuti abre a noite com tradições africanas

O Paraíso do Tuiuti iniciou a terceira noite apresentando a trajetória histórica, religiosa e filosófica da tradição de Ifá, desde a África Ocidental até o Brasil, passando pelo Caribe. A escola utilizou predominantemente branco e prata em suas fantasias e alegorias, cores ligadas aos orixás primordiais na tradição retratada.

Entre os elementos que chamaram atenção estavam elefantes robóticos em tripés no abre-alas e uma grande pirâmide dourada giratória na segunda alegoria, representando o Egito antigo. A escola completou seu desfile em 77 minutos, com destaque para o intérprete Pixulé, que manteve o ritmo durante toda a apresentação, inclusive durante a parada da bateria. A rainha Mayara Lima executou uma coreografia especial entre os atabaques.

Vila Isabel homenageia Heitor dos Prazeres

Após terminar em oitavo lugar em 2025, a Unidos de Vila Isabel busca seu quarto título no Grupo Especial com um enredo sobre Heitor dos Prazeres e sua relação com a cultura afro-brasileira. A comissão de frente representou a vida do homenageado, mesclando elementos de ateliê de pinturas, macumba e samba.

Durante o desfile, o intérprete Tinga realizou várias paradas estratégicas, permitindo que o público cantasse o samba-enredo composto por André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho Cruz. O presidente de honra da agremiação, Martinho da Vila, e uma bisneta de Tia Ciata, madrinha de Heitor, participaram do desfile antes do abre-alas.

A rainha Sabrina Sato desfilou com uma fantasia de 40 quilos. O quinto e último carro, além de celebrar a participação do artista no primeiro festival mundial de artes negras em 1966, trouxe Heitorzinho, filho do homenageado.

Grande Rio apresenta o Manguebeat

Vice-campeã do carnaval de 2025, quando ficou apenas 0,1 ponto atrás da Beija-Flor, a Grande Rio apresentou um enredo sobre o movimento Manguebeat. A escola iniciou seu desfile com luzes apagadas, criando contraste com os tons roxos de suas primeiras alas, cor que simboliza a lama fértil do mangue.

O abre-alas representou a biodiversidade dos manguezais, exibindo capivaras, jacarés, caranguejos e garças entre as raízes típicas desse ecossistema. Um tripé com antenas parabólicas homenageou Chico Science, um dos fundadores do movimento Manguebeat e do grupo Nação Zumbi.

Virginia Fonseca estreou como rainha de bateria da escola, escoltada por seguranças durante sua passagem pela Sapucaí.

Salgueiro encerra a noite homenageando Rosa Magalhães

O Acadêmicos do Salgueiro encerrou a noite com um enredo em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, maior vencedora da história da Sapucaí, com seis títulos conquistados após a construção do sambódromo e mais um antes disso. Com esta apresentação, a escola busca seu décimo título no Grupo Especial.

A comissão de frente seguiu uma linha mais tradicional, com dançarinos se apresentando diretamente na avenida, acompanhados apenas por pequenas alegorias que representavam os livros apreciados pela homenageada. A cor rosa predominou no desfile, aparecendo no casal de mestre-sala e porta-bandeira e no abre-alas.

A bateria desfilou fantasiada de piratas, em sintonia com o tema do enredo. Um violino ganhou destaque durante algumas paradas dos demais instrumentos. Apesar de um pequeno problema na evolução que gerou um espaço vazio em determinado momento, a escola conseguiu concluir sua apresentação dentro do tempo regulamentar.

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