Qual será o efeito do fim do tarifaço na economia brasileira? Especialista explica

Decisão beneficia produtos como café, carne bovina e minério de ferro. Para especialistas, ameaça de retaliação do presidente americano terá impacto reduzido nas exportações

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Jessica Koscielniak/Reuters)

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (20/02), derrubar parte do chamado “tarifaço” — um pacote de altas tarifas de importação implementado pelo governo do presidente Donald Trump. A justificativa do tribunal foi de que a legislação utilizada para embasar as medidas não autorizava o presidente a adotá-las. A decisão gerou reações imediatas em Washington e traz perspectivas positivas para a balança comercial do Brasil.

Em uma atitude considerada incomum, Donald Trump convocou uma coletiva de imprensa de última hora na Casa Branca logo após a decisão. Durante o pronunciamento, o presidente americano afirmou estar “livre para cortar qualquer relação comercial” e garantiu que o revés judicial não o impedirá de aplicar novas tarifas no futuro.

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Para o Brasil, o fim das supertarifas representa um respiro econômico. Em entrevista, o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior, Primo Roberto Segatto, classificou a decisão da Suprema Corte como “muito positiva” e com efeito prático imediato.

Segundo Segatto, o “tarifaço” causou impactos severos aos produtores brasileiros, gerando uma queda nas exportações avaliada em 25,5 bilhões e um déficit de 7,5 bilhões em transações recentes. Entre os principais setores e produtos nacionais prejudicados pelas barreiras americanas estavam:

  • Agronegócio e Alimentos: Suco de laranja, café torrado e carne bovina.
  • Indústria de Base: Petróleo bruto e minério de ferro.

Busca por novos mercados

Diante das dificuldades impostas pelo governo Trump, o Brasil e outros parceiros comerciais dos EUA precisaram se adaptar, ressaltou Segatto. A estratégia adotada por exportadores brasileiros foi a diversificação de mercados. Como resultado desse redirecionamento, a China consolidou-se como a principal parceira comercial do Brasil, ocupando o espaço que antes pertencia aos Estados Unidos.

O que esperar do futuro?

Apesar das ameaças de Donald Trump sobre a criação de novas barreiras, o cenário é visto com tranquilidade pelo setor de comércio exterior brasileiro.

Leia mais: Trump desafia decisão da Suprema Corte e anuncia tarifa global de 10%

Segatto avalia que é improvável que o presidente americano consiga reverter a decisão da Suprema Corte, que conta com amplo apoio da população americana. Além disso, mesmo que a Casa Branca decida criar novos impostos de importação, a expectativa técnica é de que essas eventuais novas tarifas sejam “bem menores” e mais brandas, não causando o mesmo estrago econômico gerado pelo “tarifaço” original.

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