O mercado financeiro e países emergentes reagiram com otimismo à confirmação das novas tarifas de 15% anunciadas por Donald Trump, conforme analisou Daniel Teles Barbosa, sócio da Valor Investimentos. Para o especialista, o cenário traz a previsibilidade necessária após um período de fortes incertezas e ameaças de sobretaxas superiores.
A decisão de Trump ocorre após a Suprema Corte derrubar taxas que chegavam a 50%, limitando o governo ao teto da lei emergencial. Agora, as novas alíquotas possuem validade de 150 dias, permitindo que empresas e investidores planejem os custos e cadeias produtivas com maior clareza.
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O especialista destaca que a clareza nas regras é fundamental para a estabilidade econômica global, apesar da insistência de Trump na pressão tarifária contra outros países.
“O mercado aceita trabalhar com algumas imprevisibilidades, mas a incerteza é muito complicada”, pontuou Barbosa durante a entrevista.
Como o Brasil se beneficia
Para o Brasil, a definição favorece diretamente os setores exportadores da bolsa, que estavam pressionados por temores de tarifas na casa de 40%. Com a trégua tarifária, espera-se que o país retome volumes de venda para os EUA em níveis anteriores ao chamado Liberation Day.
O discurso de Trump no Congresso
O analista expôs que o anúncio das novas tarifas foi o pilar do discurso do “Estado da União”, na última terça-feira (24/02), que durou 1 hora e 38 minutos. Trump defendeu a reindustrialização americana e o controle da inflação como ferramentas essenciais para fortalecer o PIB e tentar reduzir a elevada dívida pública dos Estados Unidos.
A estratégia política também visa as eleições de meio de mandato (midterms), na esteira de um governo que tenta manter o controle do Congresso. Para Barbosa, o discurso focado em indicadores econômicos busca consolidar o apoio do eleitor médio, para quem juros e bolsa têm alto impacto.
Os próximos dois anos de Trump
A arrecadação via tarifas é peça-chave no plano econômico para sanar as contas americanas, mas depende de articulação política. Barbosa alerta que os próximos dois anos de mandato serão ditados pela capacidade de Trump obter aprovação legislativa para suas pautas econômicas e comerciais.
