A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado determinou a convocação de Daniel Vorcaro e dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (25/02). A comissão também autorizou a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do Banco Master.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou os requerimentos aprovados durante a reunião no Senado Federal. As medidas visam ampliar o escopo das investigações sobre o crime organizado no país.
Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo
Quebras de sigilo e períodos investigados
A quebra de sigilo do Banco Master abrange o período de 1º de janeiro de 2022 a 29 de janeiro de 2026. A comissão autorizou a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, que tem associação com a família Toffoli, referente ao período de 1º de fevereiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026.
A CPI determinou a quebra de sigilo da empresa CBSF Distribuidora de Título e Valores Mobiliários S.A., nova denominação da Reag, para o mesmo intervalo temporal do Banco Master.
A comissão solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras o envio do Relatório de Inteligência Financeira relacionado às investigações, abrangendo tanto o Banco Master quanto a CBSF Distribuidora de Título e Valores Mobiliários S.A.
Convocações e convites
Além de Daniel Vorcaro e dos irmãos de Dias Toffoli, a CPI convocou Augusto Ferreira Lima, ex-sócio e ex-executivo do Banco Master. Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio da instituição financeira, também foi convocado.
A comissão convocou o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, e os ex-ministros da Cidadania João Inácio Ribeiro Roma e Ronaldo Vieira Bento.
Entre os convidados estão o ministro Dias Toffoli, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, Guido Mantega, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Solicitações à aviação civil
A CPI solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil informações sobre passageiros que acessaram áreas de embarque da aviação geral e executiva nos aeroportos de Brasília, Congonhas e Guarulhos durante o ano de 2025. A solicitação abrange os 90 minutos anteriores a decolagens de aeronaves especificadas na investigação.
A comissão pediu à ANAC informações sobre ativos aeronáuticos, registros de propriedade e histórico de transferências no Registro Aeronáutico Brasileiro vinculados a Daniel Vorcaro, à empresa Viking Participações S.A., ao Banco Master S.A. e a outras pessoas jurídicas em que figurem ou tenham figurado como sócios, no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025.
A comissão aprovou requerimento à concessionária Inframerica para envio de registros eletrônicos e físicos de controle de acesso às áreas de aviação executiva e hangares do Aeroporto Internacional de Brasília ao longo de todo o ano civil de 2025.
Acesso ao Senado
A Diretoria-Geral do Senado Federal enviará registros de entrada e saída de Augusto Ferreira Lima nas dependências da Casa. O objetivo é verificar a frequência e o contexto de eventuais acessos institucionais.
Próximos passos
Os convocados deverão prestar depoimento e esclarecer suas atuações. A comissão realizará o cruzamento de dados financeiros, patrimoniais, societários e logísticos obtidos por meio das quebras de sigilo e das informações solicitadas a órgãos públicos e empresas.
O objetivo das medidas é identificar estruturas sofisticadas do crime organizado e promover a responsabilização dos envolvidos, com rigor técnico e respeito ao devido processo legal. A comissão busca rastrear operações financeiras atípicas, estruturas de ocultação patrimonial e possíveis conexões com organizações criminosas.
Declaração do relator
O senador Alessandro Vieira afirmou que a aprovação dos requerimentos marca uma fase decisiva da CPI. “Esta é uma sessão histórica do Senado. Nós estamos abrindo a possibilidade para um avanço de investigações que esse país nunca fez”, declarou Alessandro Vieira.
Segundo o relator, as medidas permitirão o cruzamento de dados financeiros, patrimoniais, societários e logísticos, com foco na identificação de estruturas sofisticadas do crime organizado e na responsabilização dos envolvidos, com rigor técnico e respeito ao devido processo legal.
