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Antes de ataques ao Irã, Trump foi informado sobre alto risco e alta recompensa

Especialistas avaliam que esta operação militar americana é a mais arriscada desde a invasão do Iraque em 2003

Antes do ataque dos EUA ao Irã, o presidente Donald Trump recebeu informações que não apenas apresentaram avaliações diretas sobre o risco de grandes baixas americanas, mas também destacaram a perspectiva de uma mudança geracional no Oriente Médio em favor dos interesses dos EUA, disse um funcionário americano à Reuters.

O lançamento do que o Pentágono chamou de “Operação Fúria Épica” no sábado mergulhou o Oriente Médio em um novo e imprevisível conflito. Os militares dos EUA e de Israel atacaram alvos em todo o Irã, desencadeando ataques retaliatórios iranianos contra Israel e países árabes do Golfo.

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A fonte oficial, que falou sob condição de anonimato, disse que os responsáveis ​​pela apresentação das informações descreveram a operação ao presidente como um cenário de alto risco e alto retorno.

O próprio Trump pareceu ecoar esse sentimento ao reconhecer os riscos no início da operação, dizendo que “as vidas de corajosos heróis americanos podem ser perdidas”.

“Mas não estamos fazendo isso para o presente, estamos fazendo isso para o futuro, e é uma missão nobre”, disse Trump em um pronunciamento em vídeo anunciando o início das principais operações de combate.

“Por 47 anos, o regime iraniano bradou ‘morte à América’ e travou uma campanha interminável de derramamento de sangue e assassinatos em massa… Não vamos tolerar isso por mais tempo.”

Os briefings da equipe de segurança nacional de Trump ajudam a explicar como o presidente decidiu prosseguir com aquela que é possivelmente a operação militar americana mais arriscada desde a invasão do Iraque em 2003.

Antes dos ataques, Trump recebeu diversos briefings de autoridades, incluindo o diretor da CIA, John Ratcliffe, o general americano Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, o secretário de Estado americano Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth.

Leia mais: Saiba quem são os aliados de Estados Unidos e do Irã

Na quinta-feira, o almirante Brad Cooper, que lidera as forças americanas no Oriente Médio como chefe do Comando Central, viajou a Washington para participar das discussões na Sala de Situação da Casa Branca.

Uma segunda autoridade americana afirmou que, antes dos ataques, a Casa Branca havia sido informada sobre uma série de riscos associados às operações contra o Irã, incluindo ataques retaliatórios a várias bases americanas na região com mísseis iranianos que poderiam sobrecarregar as defesas, bem como ataques de grupos armados apoiados pelo Irã contra tropas americanas no Iraque e na Síria.

A autoridade afirmou que, apesar do enorme reforço militar dos Estados Unidos, os sistemas de defesa aérea enviados às pressas para a região tinham limitações.

Especialistas alertam que o conflito em curso pode tomar rumos perigosos, e a primeira autoridade disse que o planejamento do Pentágono não parecia garantir o resultado de qualquer conflito.

Trump pediu aos iranianos que derrubassem o governo, mas isso é mais fácil dizer do que fazer, afirmou Nicole Grajewski, da Carnegie Endowment for International Peace.

“A oposição iraniana está bastante fragmentada. Não está claro o que a população está disposta a fazer em termos de revolta”, disse Grajewski.

Ambos os funcionários americanos solicitaram anonimato devido à sensibilidade das discussões internas.

A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. O Pentágono se recusou a comentar.

Os objetivos de Trump

Nas semanas que antecederam o ataque, Trump ordenou um grande reforço militar no Oriente Médio. A Reuters noticiou que as Forças Armadas planejam realizar uma campanha sustentada contra o Irã, caso essa seja a escolha do presidente. Os planos incluem ataques a autoridades específicas, disseram fontes oficiais.

Um oficial israelense afirmou que o Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvos dos ataques, mas o resultado não estava claro.

Leia mais: Líder supremo do Irã tem paradeiro desconhecido após ataque israelense a Teerã

No sábado, Trump deixou claro que seus objetivos em relação ao Irã eram abrangentes, afirmando que acabaria com a ameaça representada por Teerã aos Estados Unidos e daria aos iranianos a chance de derrubar seus governantes. Para alcançar esse objetivo, ele delineou planos para dizimar grande parte das Forças Armadas do Irã, bem como impedir que o país desenvolva armas nucleares. O Irã nega buscar armas nucleares.

“Vamos destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis… Vamos aniquilar sua marinha”, disse ele. “Vamos garantir que os grupos terroristas da região não possam mais desestabilizar a região ou o mundo e atacar nossas forças.”

A decisão de Trump demonstra uma crescente propensão ao risco, muito maior do que quando ele ordenou que as forças de operações especiais dos EUA invadissem a Venezuela no mês passado para capturar o presidente daquele país em uma ousada operação.

A campanha em curso contra o Irã também é mais arriscada do que quando Trump ordenou que as forças americanas bombardeassem as instalações nucleares iranianas em junho.

A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou todas as bases e interesses dos EUA na região e afirmou que a retaliação iraniana continuará até que “o inimigo seja decisivamente derrotado”.

Especialistas alertam que o Irã possui diversas opções de retaliação, incluindo ataques com mísseis, mas também drones e guerra cibernética. Daniel Shapiro, ex-alto funcionário do Pentágono para assuntos do Oriente Médio, afirmou que, apesar dos ataques dos EUA e de Israel, Teerã ainda seria capaz de causar danos.

“O Irã possui muito mais mísseis balísticos capazes de atingir bases americanas do que os EUA possuem interceptores… algumas armas iranianas conseguirão passar”, disse Shapiro, também ex-embaixador dos EUA em Israel. “(Os ataques são) uma grande aposta.”

Por Reuters

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