Os Estados Unidos e Israel realizaram ataques ao Irã de forma mais incisiva. A ofensiva ocorre em um contexto geopolítico mais amplo envolvendo interesses estratégicos na região. Segundo o escritor e filósofo Luiz Felipe Pondé, a ação militar não tem como objetivo defender a população iraniana que enfrenta violência do regime dos ayatollahs.
Pondé afirmou que a guerra no Irã não se trata de uma questão de direitos humanos. Ele declarou que “geopolítica nunca foi sobre direitos humanos” e que considerar essa perspectiva seria “nada mais e nada menos do que um quadro novo no circo que é a tentativa de dizer que geopolítica ou política, mas geopolítica aqui no caso, não seja prioritariamente sobre força, sobre interesses econômicos, pragmáticos e políticos completamente concretos”.
A China se tornou o principal sustentáculo do Irã. Esse apoio chinês se intensificou após Israel ter realizado uma operação militar contra o país persa em junho de 2025. A guerra durou 12 dias. A China mantém o Irã através de dependência de petróleo iraniano e fornecimento de tecnologia de controle de internet da população. Essa mesma tecnologia foi utilizada para bloquear a internet durante manifestações contra o governo iraniano. O bloqueio impediu que a população registrasse prisões, mortes e torturas.
A China utiliza o Irã como estratégia para manter os Estados Unidos ocupados na defesa de seus interesses regionais. A proteção de navios contra ataques que prejudicam atividades comerciais é uma das prioridades norte-americanas. Ao atacar o Irã, os Estados Unidos demonstram à China que não permitirão a expansão chinesa no Oriente Médio.
O objetivo norte-americano é impedir que a China aproxime o Irã de países árabes como a Arábia Saudita. A Arábia Saudita tem sido aliada dos Estados Unidos. A ação militar também visa evitar que os Estados Unidos fiquem ocupados com o Irã enquanto a China se prepara militarmente para uma possível invasão de Taiwan. Taiwan é considerada a grande guerra que se aproxima no século XXI.
O Irã funciona como um proxy da China na região. O país atua como tentáculo chinês para desgastar os Estados Unidos. Esse desgaste ocorre através de perda de poder, tempo, dinheiro e arsenal militar. Os Estados Unidos precisariam desses recursos para se preparar contra um avanço chinês sobre Taiwan.
A guerra do Irã representa uma guerra relacionada aos interesses da China na região. A ofensiva é uma mensagem que os Estados Unidos enviam à China. Os norte-americanos indicam que não permitirão a transformação do Oriente Médio em área de influência chinesa através da destruição do regime dos ayatollahs. O regime iraniano é o principal ponto de apoio chinês na região.
