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MP e Polícia Federal deflagram operação contra corrupção e lavagem na Polícia Civil de SP

Investigação conduzida pelo Gaeco aponta que delegacias especializadas eram utilizadas como balcões de negócios para garantir impunidade a criminosos

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Polícia Federal realizaram, na manhã desta quinta-feira (05/03), uma operação de larga escala para desarticular uma organização criminosa infiltrada em departamentos estratégicos da Polícia Civil de São Paulo. O grupo é acusado de operar um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro.

A ofensiva cumpre 13 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a policiais civis, advogados e operadores financeiros. As diligências incluem as sedes do Departamento de Investigações Criminais (Deic), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e do 16º Distrito Policial (Vila Clementino), além de escritórios de advocacia e residências.

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“Balcão de Negócios” e Impunidade

De acordo com a decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, a investigação revela que unidades de elite da Polícia Civil foram transformadas em centros de negociação ilícita. O objetivo central era a venda de impunidade: mediante o pagamento de propinas vultosas, inquéritos eram encerrados e provas eram destruídas.

Em um dos episódios mais graves citados pela Promotoria, investigados teriam tido acesso às dependências do DPPC para substituir um disco rígido (HD) apreendido por um dispositivo vazio, eliminando provas incriminatórias. No 16º DP, policiais são suspeitos de exigir R$ 5 milhões para não dar prosseguimento a uma investigação. Há também registros de pagamentos de propina realizados no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte.

Conexão com a Lava Jato e Lavagem de Dinheiro

A estrutura financeira do esquema contava com métodos sofisticados para a ocultação de ativos. Segundo o MP, os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza — conhecidos por suas colaborações na Operação Lava Jato — atuavam como operadores financeiros do grupo.

O esquema de lavagem envolvia:

  • Empresas de fachada: Utilizadas para simular operações de importação e exportação.
  • Créditos de benefícios: A conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição por meio de estabelecimentos comerciais fictícios.

Decisão Judicial

Ao autorizar as prisões e o bloqueio de bens, o magistrado destacou a “subversão ao dever funcional” dos agentes públicos envolvidos. A Justiça considerou que a gravidade das condutas e a reiteração criminosa justificam a intervenção imediata para interromper as atividades da organização e preservar a integridade das instituições de segurança pública.

Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) e as defesas dos citados não se manifestaram oficialmente. O espaço segue aberto para posicionamentos.

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