A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da custódia de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, detido na Operação Compliance Zero. O preso “atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais”, segundo comunicado da corporação divulgado nesta quinta-feira (05/03). O episódio ocorreu após a prisão dele na quarta-feira.
Mourão foi socorrido e encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, garantiu que “toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”. A corporação comunicou o caso ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. Todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica do ocorrido serão entregues.
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A defesa de Mourão informou que “esteve pessoalmente com ele durante o dia, até por volta das 14h, quando ele se encontrava em plena integridade física e mental”. Os advogados tomaram conhecimento do incidente após a nota de esclarecimento da Polícia Federal.
A defesa acrescentou que “acompanha os fatos e se encontra no Hospital João XXIII. Porém, até este momento, não há qualquer confirmação sobre o estado de saúde de Luiz Phillipi”.
Operação Compliance Zero
Mourão foi preso na Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira. A ação investiga esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Daniel Vorcaro, banqueiro apontado como chefe da organização criminosa estruturada em diferentes núcleos, também foi detido na mesma operação.
As investigações apontam que “Sicário” tinha papel central na organização criminosa. Ele executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral. Os investigadores mencionam uma “dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão”.
As apurações indicam que ele atuaria como longa manus da prática das ações violentas atribuídas à organização. O relatório das investigações aponta a existência de fortes indícios de que Mourão recebia 1 milhão de reais por mês de Vorcaro. Esse valor seria a remuneração pelos “serviços ilícitos” prestados à organização criminosa.
