É comum observar no noticiário informações sobre a alta do petróleo, a variação do dólar e os conflitos geopolíticos. A relação desses fatores com o bolso do consumidor passa, primeiramente, pelo IPCA, que é o índice de inflação. Esse indicador mede o aumento médio dos preços dos produtos e serviços que impactam a vida das pessoas. Dentro da cesta de itens que compõem o índice, o setor de transportes é o principal impulsionador das alterações de valores.
Quando ocorrem conflitos no Oriente Médio, região por onde transita de 20% a 40% de todo o petróleo mundial através de estreitos, o preço do produto aumenta. Como a commodity é cotada em dólar e está embutida no índice de inflação, o reflexo nos preços do Brasil é direto.
O petróleo é o combustível base para diversas áreas: a sua alta eleva o preço da gasolina, enquanto o encarecimento do querosene afeta o valor das passagens aéreas. O aumento do diesel, por sua vez, eleva o custo do transporte de cargas, impactando o frete de diversos produtos, incluindo itens básicos de consumo, como frutas e verduras.
Apesar desse cenário, a Petrobras possui um programa de preços que atua para segurar oscilações bruscas. Se o petróleo oscilar em um curto espaço de tempo, ficando fora do padrão por cerca de uma semana, a estatal consegue reter essa variação. Com isso, o aumento não é repassado imediatamente para as refinarias e não chega de forma direta ao combustível na bomba.
Na economia, o aumento de preços relacionado aos produtos não é automático, tratando-se de um efeito comportamental que ocorre ao longo do tempo. O mercado financeiro atua como um índice de confiança e comportamento humano, guiado pela certeza e pela incerteza. Quanto maior a incerteza dos investidores em relação a um cenário, maior será a alta dos preços; quando há certeza e confiança, o preço cai. As declarações de líderes políticos sobre a continuidade ou o fim de conflitos, por exemplo, impactam diretamente essas flutuações.
Por essa razão, é necessário acompanhar o avanço dos conflitos geopolíticos na região do Oriente Médio. Ao longo do tempo, essas tensões podem indicar pressão sobre a inflação no Brasil, gerando aumento de preços e afetando diretamente o poder de compra e o valor do dinheiro do consumidor.