Durigan diz que Pix está “fora de questão” e critica atuação da família Bolsonaro

Ministro da Fazenda afirma que sistema de pagamentos é símbolo da soberania financeira do país e não será objeto de negociação com os Estados Unidos

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Reunião da Comissão Especial da Câmara sobre o Fim da Escala 6x1 para debater os impactos econômicos da redução da escala de trabalho, sem redução de salário. Participou ministro da Fazenda, Dario Durigan.
(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (02/06) que o governo brasileiro não pretende negociar o Pix com os Estados Unidos e acusou integrantes da família Bolsonaro de atuarem contra o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

A declaração foi dada após uma reunião de ministros para discutir a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. No documento que embasa a investigação comercial aberta pelos americanos com base na chamada Seção 301, o Pix é citado como exemplo de suposto tratamento preferencial que poderia afetar a concorrência.

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Segundo Durigan, o Pix está “fora de debate” e não será incluído em eventuais negociações entre os dois países.

“O Pix é o maior símbolo da nossa soberania financeira. É um orgulho do nosso país e do nosso povo”, afirmou o ministro. Ele acrescentou que o sistema será “protegido e resguardado” pelo governo brasileiro.

Durante a entrevista, Durigan também responsabilizou a família Bolsonaro por incentivar questionamentos ao Pix nos Estados Unidos. “Mais uma vez, a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix”, declarou.

Mais cedo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pediu ao governo americano que não aplicasse tarifas contra o Brasil. Nos últimos dias, o parlamentar esteve nos Estados Unidos e se reuniu com integrantes da Casa Branca e com o presidente americano, Donald Trump.

Pix como símbolo de soberania

O ministro defendeu o sistema de pagamentos instantâneos e destacou sua ampla adoção pela população brasileira. Segundo ele, o modelo se tornou referência internacional por ser gratuito, simples de usar e acessível.

Durigan afirmou ainda que o Pix desperta interesse de outros países e argumentou que a ferramenta ampliou a concorrência no setor financeiro, beneficiando consumidores e empresas.

Apesar de descartar qualquer negociação envolvendo o Pix, o ministro sinalizou que o governo brasileiro busca diálogo para evitar o avanço das medidas comerciais propostas pelos Estados Unidos.]

Discussão com os EUA

De acordo com Durigan, caso as premissas da investigação comercial sejam revistas, há espaço para um entendimento entre os dois governos. Questionado sobre uma possível viagem aos EUA para tratar do tema, ele não confirmou a agenda, mas admitiu a possibilidade.

A reunião que discutiu a resposta brasileira contou com a participação do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de representantes de outros ministérios e do Itamaraty.

As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e à discussão sobre os impactos da investigação americana sobre setores considerados estratégicos para a economia brasileira.

Leia mais: “Um documento de extorsão”: novo tarifaço de Trump mira Pix, critica corrupção e cobra fim do desmatamento 

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