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Laudo do IML identifica marcas de pressão no pescoço e rosto de PM morta com tiro

Exame necroscópico realizado após exumação do corpo aponta lesões contundentes compatíveis com pressão digital e unha na vítima de 32 anos

Por Redação TMC | Atualizado em
Câmera Fotográfica (Foto: Arquivo Pessoal)

O Instituto Médico-Legal (IML) Central de São Paulo identificou marcas de pressão digital e unha no pescoço e rosto da policial militar Gisele Santana, de 32 anos. O exame necroscópico foi realizado no sábado (07/03) após a exumação do corpo da vítima. Ela foi encontrada sem vida no apartamento onde residia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central da capital paulista.

O documento pericial, obtido com exclusividade pela TV Globo, classificou as lesões como “contundentes” e produzidas “por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal”. A análise indica que a policial desmaiou antes de ser atingida pelo disparo na cabeça. Os peritos constataram ausência de defesa por parte da vítima. A arma estava “bem encaixada” na mão de Gisele quando foi encontrada.

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O corpo passou por novos exames no sábado, incluindo tomografia. A exumação ocorreu na sexta-feira (06/03) para esclarecer as circunstâncias da morte. O caso foi inicialmente registrado como suicídio. A família contestou essa versão, levando a investigação a tratar a morte como suspeita. A Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar investigam o caso devido a inconsistências nos relatos e evidências coletadas.

Nota da PM

Todas as circunstâncias relacionadas à morte da Sd. PM Gisele Alves Santana são apuradas por meio de inquéritos instaurados pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. A Instituição não compactua com irregularidades ou desvios de conduta e ressalta que, caso seja constatada qualquer ilegalidade, as medidas cabíveis serão adotadas.

Cronologia dos fatos

Uma vizinha do casal informou à polícia que acordou às 7h28 após ouvir um estampido único e forte proveniente do apartamento. O tenente-coronel fez a primeira ligação para a Polícia Militar às 7h57, aproximadamente meia hora após o horário relatado pela vizinha. Na chamada, ele afirmou: “Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”.

Às 8h05, o oficial ligou para o Corpo de Bombeiros informando que a mulher ainda estava respirando. As equipes de socorro chegaram ao apartamento às 8h13.

Relatos de socorristas apontam inconsistências

Um sargento do Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência relatou que, ao chegar ao apartamento, encontrou Geraldo de bermuda, sem camisa e inteiramente seco. O socorrista registrou em depoimento: “O declarante afirma que não havia nenhum tipo de pegada molhada que indicasse que o Tenente-Coronel teria saído imediatamente durante o banho, inclusive ele estava seco”.

O bombeiro afirmou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado. Não havia poças de água no chão ou no corredor. Um tenente da PM cuja equipe foi a primeira a chegar ao local reforçou a observação. Ele apontou que nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou terem tomado banho antes do disparo.

O tenente-coronel havia declarado que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h. Cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.

Um dos socorristas relatou que a arma parecia estar “bem encaixada” na mão da mulher, de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio. Por achar a cena incomum, decidiu fotografá-la. O profissional afirmou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento. Não havia cartucho de bala no local.

O sargento do Corpo de Bombeiros afirmou que não viu nenhum tipo de desespero por parte do tenente-coronel nem o viu chorando. Um segundo bombeiro também estranhou a conduta do marido porque ele “falava calmamente” ao telefone. O oficial questionava a todo momento o atendimento prestado pelos bombeiros e insistia que a vítima fosse retirada com pressa e levada imediatamente ao hospital.

Os socorristas observaram que o oficial não apresentava nenhuma marca de sangue no corpo ou nas vestimentas. Isso indicaria que ele não teria tentado prestar os primeiros socorros à esposa.

Desembargador esteve no apartamento após o disparo

Entre os contatos feitos por Geraldo na manhã da ocorrência, um deles chamou a atenção da família da policial: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, questiona a presença do desembargador no local: “Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo.”

Às 9h18, o desembargador reapareceu no corredor. Às 9h29, o tenente-coronel surgiu com outra roupa.

Posicionamento das defesas

Em nota divulgada antes do laudo feito após a exumação, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento. Os advogados informaram que o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para ajudar na elucidação dos fatos.

A defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel. Eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.

A Polícia Civil prossegue com a investigação do caso como morte suspeita. Os depoimentos de socorristas e os resultados dos novos exames periciais serão analisados pelos investigadores para determinar as circunstâncias da morte da policial militar.

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