Justiça solta vereador Salvino Oliveira, suspeito de ligação com Comando Vermelho

Desembargador considerou insuficientes as provas apresentadas pela Polícia Civil para indicar envolvimento do parlamentar com organização criminosa

Por Redação TMC | Atualizado em
Justiça manda soltar vereador Salvino Oliveira, preso em operação contra o Comando Vermelho (Foto: Câmara Municipal do Rio de Janeiro)

O desembargador Marcus Henrique Basílio determinou a soltura do vereador Salvino Oliveira (PSD) na tarde desta sexta-feira (13/03). O parlamentar foi preso na última quarta-feira (11/03) por suspeita de ligação com o Comando Vermelho e estava no presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio.

Salvino foi capturado durante a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada pela Polícia Civil contra a estrutura nacional do Comando Vermelho. A Justiça havia mantido a prisão na quinta-feira, considerando válido o mandado temporário.

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Acusações da investigação

A Operação Contenção Red Legacy mirou a estrutura nacional do Comando Vermelho. Agentes saíram para cumprir 13 mandados de prisão. Até a última atualização, 7 pessoas haviam sido presas. Outros 4 alvos já estavam encarcerados.

No pedido de prisão de Salvino, a Polícia Civil afirma ter identificado “tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico”. O objetivo seria transformar esses territórios em bases eleitorais.

As investigações indicam que o vereador teria buscado autorização do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul. A área é dominada pelo Comando Vermelho.

Entre as provas apresentadas está a imagem de uma conversa no WhatsApp. O diálogo seria entre um comparsa conhecido como Dom e Doca. No documento não há registro de conversa direta entre Salvino e o traficante.

De acordo com a investigação, o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso em troca da autorização para entrar na comunidade. Essas ações teriam sido apresentadas publicamente como voltadas para moradores da região.

O delegado Vinicius Miranda afirmou que a prisão de Salvino foi solicitada após a polícia encontrar uma “série de indícios” de ligação dele com o Comando Vermelho. Sem citar as provas, o delegado afirmou que “maiores detalhes serão apurados na investigação”.

Fundamentação da decisão

O magistrado apontou que as provas apresentadas pela polícia são insuficientes para indicar envolvimento do parlamentar com a organização criminosa. A conversa entre terceiros em que o nome de Salvino aparece ocorreu há mais de um ano, segundo destacou Basílio.

O desembargador ressaltou que não está fazendo juízo de valor sobre a investigação da Polícia Civil. A análise se concentrou na necessidade ou não de prisão cautelar do vereador.

A decisão estabeleceu duas medidas cautelares. Salvino está proibido de ausentar-se do Estado por mais de 15 dias sem autorização judicial. Também não pode manter qualquer tipo de contato com os demais investigados.

Manifestações sobre o caso

Nas redes sociais, o governador Cláudio Castro afirmou que Salvino é o “braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”.

Salvino negou qualquer ligação com o traficante Doca. O parlamentar afirmou não ter envolvimento com a instalação de quiosques na Gardênia Azul. Disse não conhecer o sobrinho do traficante Marcinho VP. “Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, declarou.

A Câmara de Vereadores do Rio divulgou nota sobre o caso: “A Câmara do Rio acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários. O Legislativo municipal reafirma sua confiança no trabalho das instituições e no devido processo legal.”

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