5 elementos que levantaram suspeitas na morte de PM e levaram à prisão de tenente-coronel

Geraldo Leite Rosa Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual

Por Redação TMC | Atualizado em
Morte de Gisele é investigada como feminicídio (Foto: Arquivo Pessoal)

A Polícia Civil prendeu o tenente-coronel Geraldo Neto nesta quarta-feira (18/03) pela morte da soldado Gisele Alves, sua esposa, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal em São Paulo.

Gisele Alves foi encontrada morta em fevereiro com um ferimento de arma de fogo na cabeça no apartamento onde morava com o marido. O tenente-coronel relatou às autoridades que a esposa havia tirado a própria vida, porém as investigações identificaram elementos que contradizem essa versão e o caso agora é investigado como feminicídio.

Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo

As investigações identificaram imagens, laudos periciais e depoimentos de testemunhas reunidos pela Polícia Civil passaram a contradizer a narrativa de suicídio. Os elementos considerados suspeitos pelos investigadores incluem a posição da arma, o intervalo de tempo entre o disparo e o pedido de socorro, e alterações na cena do crime.

Mensagens indicavam relacionamento abusivo

Mensagens enviadas pela policial a uma amiga, divulgadas pela defesa da família, indicam que Gisele enfrentava problemas no relacionamento. Em um dos trechos, ela afirma: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata”.

A mãe da vítima afirmou em depoimento que a filha não cometeria suicídio e vivia um relacionamento abusivo. Segundo ela, o oficial era controlador e violento.

Socorrista relatou situação atípica na cena

Um socorrista com 15 anos de experiência que atendeu a ocorrência encontrou a arma “bem encaixada” na mão da vítima. O profissional considerou a situação “estranha” e incomum em casos de suicídio.

Quando o socorro chegou ao local, o sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi localizado.

Intervalo entre disparo e chamado de socorro

Uma vizinha do casal relatou à polícia que acordou após ouvir um estampido único e forte. Ela verificou o horário em seu celular e constatou que eram por volta das 7h30.

A primeira ligação de Geraldo Neto para os bombeiros foi registrada às 7h57. O intervalo de 29 minutos entre o horário do disparo relatado pela testemunha e o pedido de socorro passou a ser investigado pela polícia.

Antes de chamar o o socorro, as investigações apontam que o tenente-coronel Geraldo Neto ligou para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Outra questão que chamou atenção foi a inconsistência do relato do tentente-coronel. Em depoimento, o oficial afirmou que estava no banho no momento em que ouviu o disparo, mas os primeiros bombeiros que chegaram ao local disseram que ele estava seco e que não havia marcas de água no chão do apartamento.

Cena do crime não foi preservada adequadamente

Laudos da perícia identificaram que a cena não foi preservada adequadamente. Cãmeras de segurança mostram que três policiais entrataram no apartamento depois da retirada do corpo para fazer uma limpeza no local.

Perícias indicaram que o corpo foi movimentado e a arma foi colocada na mão da vítima após o disparo. Manchas de sangue também foram espalhadas por outros cômodos do apartamento.

Laudos periciais contradizem a narrativa de suicídio

Laudos periciais concluíram que a policial militar Gisele Alves foi imobilizada antes de ser atingida por um disparo, além de apontar lesões no rosto e no pescoço da policial. A perícia identificou que o agressor teria segurado a vítima com a mão esquerda pelo rosto.

A arma direcionada contra a têmpora direita dela era uma pistola Glock calibre 40 pertencente ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. 

Não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos de Gisele. Esse dado levanta dúvidas sobre a hipótese de suicídio, inicialmente como o caso foi investigado.

Leia mais: PM foi segurada por trás e baleada, diz laudo que levou à prisão de marido

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 07.577.172/0001-71