O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (18/03) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao relacionar a escalada do conflito envolvendo o Irã à alta global dos preços do petróleo e dos combustíveis.
Durante evento em Brasília, Lula afirmou que os ataques liderados pelos EUA contribuíram para a elevação do barril de petróleo, que saiu de cerca de US$ 65 para patamares próximos de US$ 120 no mercado internacional. O presidente também mencionou o impacto direto no preço do diesel no Brasil e questionou aumentos em outros combustíveis, como gasolina e etanol.
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A crise internacional se intensificou após ações militares dos EUA e de Israel contra o Irã, afetando rotas estratégicas como o Estreito de Hormuz, uma das principais vias de transporte de petróleo no mundo. Como reflexo, a commodity registrou alta relevante — cerca de 5,85% apenas nesta quarta-feira, cotada a US$ 109,47.
Diante da pressão sobre os preços, o governo brasileiro anunciou a suspensão de tributos federais (PIS/Cofins) sobre combustíveis, com o objetivo de reduzir impactos na economia. A alta do diesel também provocou reação de caminhoneiros, que ameaçam paralisações.
Em seu discurso, Lula também criticou a atuação das potências globais e afirmou que os países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU concentram poder e armamento, mas não conseguem evitar conflitos. O grupo é formado por Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
No mesmo contexto de tensões internacionais, os EUA adotaram medidas para conter efeitos econômicos da guerra, como a flexibilização da compra de petróleo russo — movimento considerado inédito desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Pressão estratégica e fórum em São Paulo
Paralelamente à crise energética, o governo americano realizou nesta quarta-feira (18/03), em São Paulo, um fórum sobre minerais críticos, reunindo empresas, investidores e agências federais dos EUA. O encontro ocorreu sem a participação confirmada de representantes do governo brasileiro.
A iniciativa faz parte de uma estratégia de Washington para ampliar o acesso a minerais considerados essenciais para a indústria tecnológica e energética, como lítio, níquel, cobre, grafite e cobalto — insumos fundamentais para baterias, veículos elétricos e equipamentos eletrônicos.
Apesar de convites enviados, órgãos do governo federal brasileiro, como ministérios, o BNDES e o Itamaraty, não participaram do evento. A ausência ocorre em meio a um cenário de relações diplomáticas mais sensíveis entre os dois países.
Entre os pontos de tensão está a pressão dos EUA para que o Brasil adote medidas mais duras no combate ao crime organizado transnacional, incluindo a possibilidade de classificar facções brasileiras como organizações terroristas. O governo brasileiro, por sua vez, defende o fortalecimento da cooperação policial e de inteligência, sem aderir a esse enquadramento.
Outro episódio recente que contribuiu para o desgaste foi a negativa de visto a uma autoridade americana ligada à diplomacia pública, interpretada como resposta a manifestações sobre a política interna brasileira.
O fórum em São Paulo reuniu cerca de 180 participantes, incluindo aproximadamente 100 empresas — muitas delas do setor de mineração. A expectativa é de que os EUA avancem em propostas de parceria com o Brasil, com foco em investimentos, garantias financeiras e contratos de longo prazo.
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O interesse americano também está ligado à tentativa de reduzir a dependência global da China na cadeia de minerais estratégicos, especialmente no processamento de terras raras, utilizadas em tecnologias avançadas.
Há expectativa de um encontro entre Lula e Trump em Washington, onde devem ser discutidos acordos bilaterais nas áreas de minerais críticos e segurança, em meio a um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas e pressões econômicas.




