O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (19) em alta de 0,35%, aos 180.270,62 pontos, registrando um ganho de 630,71 pontos.
O índice brasileiro apresentou uma trajetória de recuperação ao longo do dia; após abrir pressionado pelo cenário externo e atingir a mínima de 176.295,71 pontos, o mercado local reagiu positivamente ao tom adotado pelo Banco Central do Brasil na noite anterior.
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O grande destaque do dia foi a digestão da decisão do Copom, que reduziu a taxa Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Embora o corte de 0,25 ponto percentual fosse o esperado, o comunicado assinado por Gabriel Galípolo foi interpretado como mais dovish (suave) do que o previsto.
O BC indicou que o ritmo das futuras quedas dependerá da duração do conflito geopolítico, mas deixou a porta aberta para a continuidade do ciclo de flexibilização, o que transmitiu uma confiança na trajetória da inflação que surpreendeu positivamente os investidores.
No cenário internacional, contudo, o ambiente permanece de elevada aversão ao risco. O Irã ampliou ofensivas contra infraestruturas de energia no Catar, atingindo bases de gás liquefeito, o que fez o petróleo Brent saltar momentaneamente para a marca de US$ 119. A escalada militar e a incerteza sobre a duração do conflito — que pode variar de poucas semanas a um choque que leve o barril aos US$ 200 — seguem como o principal freio para os ativos de renda variável globais.
Segundo Leonardo Santana, especialista da Top Gain, o otimismo com o início do ciclo de cortes no Brasil foi “sufocado” pelo exterior. “O mundo vinha travando uma batalha complexa contra a inflação e esse novo choque geopolítico surge como um elemento de peso. O tonel de petróleo dobrou de preço recentemente e a percepção de escassez ganha força. Apesar disso, o Brasil conta com um diferencial de juros atrativo, o que pode sustentar algum fluxo positivo para o país”, analisa Santana.
Destaques corporativos
As ações ligadas ao setor de energia funcionaram como um amortecedor para o índice. A Petrobras e a PRIO subiram acompanhando a volatilidade da commodity, enquanto a Eneva seguiu refletindo o sucesso nos recentes leilões de energia.
Na contramão, setores sensíveis ao cenário macroeconômico global, como mineração (Vale) e financeiro, registraram perdas.
Fernando Bresciani, analista do Andbank, destaca que o cenário externo pesou sobre nomes específicos. “A Minerva teve resultado fraco, impactada pela guerra que afeta exportações para o Oriente Médio. MRV e Hapvida também apresentaram números abaixo do esperado. Por outro lado, a Suzano mantém um cenário positivo para a celulose e a PetroRecôncavo gera expectativa de um primeiro trimestre forte impulsionado pelo preço do óleo”, pontua Bresciani.
Dólar
O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,215. A moeda norte-americana operou em patamares elevados pela manhã, chegando à máxima de R$ 5,314 logo após os ataques no Catar, mas passou por uma correção técnica ao longo da tarde.
O papel do dólar como ativo de proteção permanece evidente, reagindo com força a cada nova atualização do front de guerra. Entretanto, a sinalização do Banco Central brasileiro e a manutenção de juros ainda elevados em termos reais ajudaram a conter uma desvalorização maior do real.
Investidores agora monitoram os desdobramentos do fim de semana, temendo que novas ofensivas contra estruturas estratégicas de energia possam inflamar novamente o câmbio na abertura de segunda-feira.
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