O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou uma mudança de tom para as eleições de 2026, ao afirmar que não pretende repetir a postura conciliadora que marcou campanhas anteriores. A declaração foi feita nesta quinta-feira (19/03), durante evento em São Bernardo do Campo (SP) no qual foi oficializada a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista.
“Não tem mais aquele negócio de Lulinha paz e amor”, disse o presidente ao comentar o ambiente político atual. Segundo ele, a estratégia agora será manter o diálogo, mas com uma postura mais firme diante de ataques e da disseminação de desinformação. “Quero ser o Lulinha paz e amor, só que um amor mais duro”, afirmou, retificando a frase anterior.
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Lula associou a alteração no discurso ao cenário político atual, que classificou como mais agressivo. O presidente destacou o aumento da polarização, das fake news e da hostilidade entre adversários.
Ao comparar com disputas do passado contra o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, Lula ressaltou que havia mais respeito entre os concorrentes. “A gente disputava, mas se cumprimentava e conversava. Hoje a política mudou”, declarou.
Durante o mesmo evento, Lula voltou a afirmar que pretende disputar a reeleição em 2026, o que pode levá-lo a tentar um quarto mandato. O presidente também elogiou Alckmin e indicou que gostaria de manter o vice na chapa, embora não tenha confirmado a composição.
“Enquanto eu estiver vivo, a extrema-direita não volta a governar esse país”, disse, ao reforçar o tom mais combativo para o próximo pleito. O principal oponente do petista na disputa deverá ser o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido por seu pai, Jair Bolsonaro, para representá-lo no pleito. Derrotado por Lula em 2022, o ex-presidente está preso em Brasília devido a uma condenação por golpe de Estado.
Haddad em São Paulo e estratégia eleitoral
A oficialização de Haddad como pré-candidato ao governo de São Paulo foi apresentada como parte da estratégia eleitoral do PT para fortalecer a base no maior colégio eleitoral do país. O ministro afirmou que entrará na disputa com objetivo claro de vitória e destacou o papel do governo federal no cenário econômico.
Nos bastidores, Lula já havia sinalizado a aliados a importância de um palanque forte no estado, considerado decisivo para a eleição presidencial.
Pressão interna por campanha mais combativa
O discurso mais duro de Lula converge com a avaliação de lideranças históricas do partido. O ex-ministro José Dirceu também defendeu recentemente que a campanha de 2026 abandone o tom conciliador e adote uma postura de enfrentamento, com maior mobilização da militância.
Para ele, o contexto atual exige uma disputa mais direta por apoio popular e maioria política.
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