O torcedor santista ainda sente o estalo seco daquele gol de Breno Lopes no Maracanã. Em 30 de janeiro de 2021, o Santos estava a poucos segundos da “Glória Eterna”. Desde então, o que se viu foi uma lenta e dolorosa descida por um labirinto de decisões equivocadas e números que flertaram com o abismo.
O Efeito Pós-Maracanã
A saída de Cuca logo após a final da Libertadores marcou o início de uma “dança das cadeiras” frenética. O Santos tentou de tudo: do DNA ofensivo de Holan ao pragmatismo de Carille, passando por apostas como Bustos e Lisca. O resultado? Uma média de permanência de técnicos que raramente ultrapassava os quatro meses.
Os números refletem essa crise de identidade
Aproveitamento Crítico
Nas últimas temporadas do Brasileirão, o Peixe flutuou perigosamente entre a 10ª e a 17ª posição, lutando contra o rebaixamento em campeonatos estaduais e nacionais.
Déficit de Continuidade
Entre 2021 e o retorno de Cuca, o clube viu mais de 10 nomes passarem pelo comando técnico, pulverizando qualquer tentativa de planejamento a longo prazo.
Esvaziamento do Elenco
Peças fundamentais como Marinho, Kaio Jorge e, mais recentemente, joias da base, foram negociadas para estancar dívidas, deixando o elenco com lacunas técnicas evidentes.
A Vila Belmiro como Termômetro
Se antes a Vila era um alçapão intransponível, o período de 2021 a 2024 mostrou um Santos vulnerável em seus próprios domínios. A média de gols sofridos subiu, e a confiança da torcida — historicamente resiliente — transformou-se em protestos constantes nos portões do CT Rei Pelé.
O Retorno ao “Porto Seguro”
O retorno de Cuca não é apenas uma contratação técnica; é um movimento político e emocional. Para a diretoria, ele representa o último treinador que conseguiu extrair água de pedra no clube. Para o treinador, é a chance de provar que conhece os atalhos da Vila melhor do que ninguém.
O Santos de hoje não é o mesmo de 2021. O elenco é mais modesto, a pressão é maior e a margem de erro, inexistente. Cuca herda um time que esqueceu como é figurar no topo e precisa, antes de tática, recuperar a alma de um clube que se perdeu nos próprios números.
O que os números dizem sobre Cuca no Santos
Santos, 20 de março de 2026 — O anúncio do retorno de Alexi Stival, o Cuca, para sua quarta passagem pelo Santos FC, divide a Baixada Santista entre a nostalgia de grandes campanhas e a frieza das estatísticas. Em um momento de crise após a saída de Juan Pablo Vojvoda, a diretoria santista aposta no “estilo Cuca” para estancar a sangria. Mas o que, de fato, o treinador entregou ao Peixe em suas passagens anteriores?
Os números mostram um técnico de extremos
Capaz de tirar o time do abismo do rebaixamento e levá-lo a uma final de Libertadores, mas com um aproveitamento histórico que reflete a instabilidade de seus períodos na Vila Belmiro.
O Retrospecto Geral
Somando as passagens de 2008, 2018 e 2020-21, Cuca comandou o Alvinegro Praiano em 85 partidas oficiais. O equilíbrio entre vitórias e derrotas é quase milimétrico, o que explica por que sua contratação sempre gera debates acalorados.
Estatística Números Totais
Jogos 85
Vitórias 31
Empates 27
Derrotas 27
Aproveitamento 47,06%
As Três Faces de Cuca na Vila
Cada passagem do treinador teve uma narrativa distinta, moldando a percepção do torcedor sobre sua competência:
2008 – O Batismo de Fogo: Em sua estreia no clube, Cuca enfrentou um cenário caótico. Foram apenas 14 jogos, com um aproveitamento pífio de 21,4% (3 vitórias, 4 empates e 7 derrotas). Saiu precocemente com o time na zona de rebaixamento.
2018 – O Bombeiro: Dez anos depois, o retorno. Cuca assumiu um Santos ameaçado e conseguiu uma recuperação sólida no Brasileirão, terminando em 10º lugar. Em 27 jogos, obteve 46,9% de aproveitamento (10V, 8E, 9D).
2020-2021 – O Auge e o Quase: Sua passagem mais longa e marcante. Em meio à pandemia e com o clube impedido de contratar (transfer ban), Cuca levou o Santos à final da Copa Libertadores, perdendo o título nos acréscimos para o Palmeiras. Foram 44 jogos: 18 vitórias, 14 empates e 12 derrotas (51,5% de aproveitamento).
O Que Esperar em 2026?
Cuca assume agora um time que soma apenas uma vitória no início do Brasileirão 2026 e vem de uma eliminação dolorosa no Paulistão. Se os 47% de aproveitamento histórico parecem modestos para um clube da grandeza do Santos, a diretoria se apega à capacidade do técnico em “tirar leite de pedra” em elencos limitados.
“Cuca não é um técnico de processos longos, é um técnico de impacto. No Santos, ele sempre funcionou melhor sob pressão,” afirma a análise interna do clube.
O desafio atual
Elevar a média de pontos por jogo (que hoje é de aproximadamente 1,41) para colocar o Peixe novamente na briga pela parte de cima da tabela. A mística da calça de vinho está de volta, mas, desta vez, os números precisarão ser mais do que apenas “equilibrados” para convencer a exigente torcida santista.