A espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, morreu nesta quinta-feira (26/03) após passar por um procedimento de eutanásia legalmente autorizado na Espanha. O caso ganhou repercussão internacional por envolver uma disputa judicial que se estendeu por cerca de 601 dias.
A jovem vivia com paraplegia e dor crônica desde 2022, após uma queda de grande altura. Segundo avaliações médicas, o quadro era irreversível e associado a sofrimento físico e psicológico considerado grave. Com base nesses elementos, uma comissão independente concluiu que ela atendia aos critérios previstos na legislação espanhola.
A autorização para o procedimento foi alvo de contestação por parte do pai de Noelia, que recorreu à Justiça sob o argumento de que a filha não teria condições psicológicas para tomar a decisão. O caso passou por diferentes instâncias judiciais na Espanha e também por cortes europeias, que mantiveram o entendimento favorável ao direito da jovem.
Durante o processo, pareceres técnicos apontaram dependência funcional importante, dor persistente e sofrimento incapacitante — requisitos exigidos pela lei. A capacidade mental da paciente foi considerada preservada pelas autoridades responsáveis pelas avaliações.
Além das limitações físicas, o caso também envolveu um histórico de sofrimento psicológico. Antes mesmo da lesão que resultou na paraplegia, a jovem já havia passado por episódios de violência e por acompanhamento em serviços de saúde mental. Após o acidente, o quadro se agravou, com impacto significativo na qualidade de vida.
A eutanásia é legal na Espanha desde 2021 e pode ser autorizada em situações específicas, como doenças graves e incuráveis ou condições crônicas incapacitantes. A legislação exige pedido voluntário e reiterado do paciente, além de avaliações médicas sucessivas e validação por uma comissão independente.
O tema também levanta debate em outros países. No Brasil, a eutanásia é proibida e pode ser enquadrada como crime. O Conselho Federal de Medicina permite, no entanto, a ortotanásia — prática em que tratamentos que apenas prolongam a vida são suspensos, priorizando o conforto do paciente em casos graves.
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O caso de Noelia chama atenção por considerar, além da condição física irreversível, o sofrimento psicológico associado. Na Espanha, a legislação admite esse tipo de avaliação, desde que esteja vinculada a um quadro clínico grave e à comprovação da capacidade de decisão do paciente.




