Gustavo Petro, atual presidente da Colômbia, contestou os resultados do primeiro turno das eleições. O presidente afirmou através de Post no ‘X’ que aguardará revisão judicial dos votos e rejeitou o resultado da pré-contagem. Petro apontou falhas no software da Thomas Greg & Sons (TGS), empresa responsável pela logística eleitoral, e indicou uma discrepância de 800 mil pessoas entre o censo oficial e os dados do sistema.
Leia a postagem de Gustavo Petro
O ex-presidente Iván Duque rebateu as declarações. Segundo Duque, o país não perderá sua democracia. O Tribunal Superior de Bogotá é a instância que pode analisar eventuais pedidos de revisão.
A Colômbia não elegeu presidente no primeiro turno realizado neste domingo. Com 99,92% dos votos apurados, o advogado Abelardo de la Espriella somou 43,7% das preferências, e o senador Ivan Cepeda ficou com 40,9%. A disputa vai para o segundo turno, agendado para 21 de junho.
Os dois candidatos representam polos opostos do espectro político. De la Espriella, de 47 anos e apelidado de “El Tigre”, lidera o movimento ultraconservador Defensores da Pátria. Cepeda, de 63 anos, é filósofo e senador pelo Pacto Histórico, partido ligado ao presidente Gustavo Petro.
Propostas e polêmicas dos finalistas
De la Espriella defende ofensiva militar contra guerrilhas, construção de 10 megaprisões e a retirada da Colômbia da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA). O candidato foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos Estados Unidos de operar como intermediário do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Dois integrantes da campanha de De la Espriella foram mortos a tiros em 15 de maio, episódio que reforçou o debate sobre segurança pública no país. Pesquisa do instituto Invamer aponta que 40% dos colombianos consideram a segurança a principal preocupação nacional.
Cepeda, por sua vez, defende a continuidade das políticas do governo Petro e o diálogo com grupos armados. O senador atuou como mediador nas negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016. O conflito com a guerrilha, iniciado na década de 1960, deixou mais de 250 mil mortos ao longo de cinco décadas. Recentemente, um confronto entre facções dissidentes das Farc resultou em 52 rebeldes mortos na Amazônia.
Alerta sobre os riscos à democracia
O economista e analista político Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana de Bogotá, avaliou que os discursos dos dois finalistas trazem elementos preocupantes para o sistema democrático colombiano. Restrepo não especificou quais aspectos considera mais graves em cada candidato.
A decisão sobre o próximo presidente colombiano ocorre em 21 de junho. O mandato do vencedor começa em 7 de agosto de 2026.




