Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, lançaram mísseis contra Israel neste sábado (28/03), em seu primeiro ataque desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, aumentando o risco de que um conflito que entrou em sua quinta semana possa se expandir ainda mais pela região.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na sexta-feira (27/03)que os EUA esperavam concluir as operações militares dentro de algumas semanas, mas os houthis disseram que continuariam suas operações até que terminasse a “agressão” em todas as frentes.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, conversou com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo governo sediará uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da Turquia e da Arábia Saudita no domingo, buscando amenizar as tensões regionais.
Mas, sem qualquer sinal de uma solução diplomática à vista, a guerra, iniciada com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, espalhou-se pelo Oriente Médio, matando milhares de pessoas e atingindo a economia mundial com a maior interrupção já registrada no fornecimento global de energia.
Israel afirmou neste sábado ter realizado uma série de ataques contra Teerã, visando o que os militares descreveram como instalações de infraestrutura pertencentes ao governo iraniano. O Irã também manteve seus ataques, atingindo uma base aérea na Arábia Saudita e ferindo 12 militares norte-americanos, dois deles gravemente.
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Houthis podem atacar alvos distantes do Iêmen
O ataque dos houthis representou uma nova e potencialmente sinistra ameaça à navegação global, já severamente prejudicada pelo fechamento efetivo do crucial Estreito de Ormuz, via de passagem de cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo.
O grupo, que lançou ataques regulares com mísseis contra Israel nos últimos anos, demonstrou capacidade de atingir alvos muito além do Iêmen e de interromper as rotas marítimas em torno da Península Arábica e do Mar Vermelho, tal como fez em apoio ao Hamas em Gaza após 7 de outubro de 2023.
O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou na sexta-feira que os houthis estavam preparados para agir se o que ele chamou de escalada contra o Irã e o “eixo de resistência” continuasse.
Caso o grupo abra uma nova frente no conflito, um alvo óbvio seria o Estreito de Bab al-Mandab, na costa do Iêmen, um ponto de estrangulamento crucial para o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez, o que poderia agravar a instabilidade no comércio mundial.
Por Reuters




