Nesta segunda-feira (30/03), Ronaldo Caiado oficializou sua pré-candidatura à Presidência pelo PSD. Abaixo, a TMC conta a trajetória política do médico que almeja guiar o Brasil a partir do próximo ano.
Família tradiconal na política goiana e candidatura fracassada em 1989
Latifundiária, a família Caiado possui tradicional influência na política de Goiás. Antônio José Caiado foi o precursor nesse âmbito, participando da campanha abolicionista no século XIX. Edenval Caiado, pai do pré-candidato, foi advogado e agricultor, o que o aproximou da política estadual – embora nunca tenha exercido cargo público. Inclusive, foi homenageado com um portal com seu nome na entrada de Campos Verdes, município goiano.
Ronaldo, por sua vez, é médico de formação e nos anos 1980 entrou no mundo político. Em 1989, disputou sua primeira eleição como candidato pelo extinto Partido Social Democrata (PSD) – que leva o mesmo nome do atual. Recebeu 488.872 votos, equivalente a 0,68% do total, e ficou em décimo lugar no pleito que elegeu Fernando Collor.
Na eleição, Caiado ainda virou motivo de piada. Durante um debate presidêncial, Luiz Inácio Lula da Silva chamou Paulo Maluf para uma pergunta direta e Caiado interveio para que perguntasse a ele. Em tom de ironia, Lula arrancou risos do público ao responder: “Quando você crescer no porcentual, eu faço. Quando ele chegar a 1,5%, eu faço.”
Cinco mandatos como deputado federal
Em 1990, Ronaldo Caiado se elegeu deputado federal pelo PSD. Foi, inclusive, o mais votado de Goiás, recebendo 98.256 votos. No mesmo ano, deixou a sigla após uma série de acusações de ambas as partes. No Congresso, passou a integrar a bancada ruralista e, em 1992, votou contra o impeachment do presidente Fernando Collor.
Em 1994, almejou o governo de Goiás junto ao Partido da Frente Liberal (PFL), porém ficou em terceiro lugar, com o total de 364.767 votos (cerca de 23% do total). Foi eleito Maguito Vilela, do PMDB. Já em 1998, Caiado voltou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e conseguiu se eleger com 100.446 votos. Mais uma vez, foi defensor do agronegócio em âmbito nacional, também atuando contra o crime organizado.
Depois, em 2002, novamente pelo PFL, se reelegeu deputado federal com 114.728 votos. Em 2006, pelo PFL mais uma vez, angariou 152.895 votos e se reelegeu como o segundo mais votado em Goiás. O quinto mandato de Caiado foi celebrado nas eleições de 2010, quando atingiu 167.591 votos.
Em todos esses anos, foi nome forte nos interesses do agronegócio.
Senador Federal em 2014
Em 2014, Caiado candidatou-se e foi eleito ao Senado Federal por Goiás pelo Democratas com 1.283.365 votos (47,57% dos votos). Por lá, atuou por comissões, como de Assuntos Econômicos, de Justiça, de Meio Ambiente, de Defesa do Constumidos e Agricultura.
No ano seguinte, Caiado teve destaque durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O agora pré-candidato votou a favor do afastamento da ex-presidenta. Contudo, o MDB votou que Dilma mantivesse seus direitos políticos, o que fez com que o goiano rompesse com o governo que estava assumindo.
Fora o impeachment, Caiado também votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos e da reforma trabalhista, em 2016 e 2017, respectivamente. No segundo ano, votou contra a manutenção do mandato do senador Aécio Neves em meio à acusação de corrupção que respondia.
Eleição para governador em 2018 e reeleição em 2022
Em 2018, Ronaldo Caiado se elegeu governador de Goiás ainda no primeiro turno, com 1.773.185 votos (59,73% do total). Sem vice foi o então deputado estadual Lincoln Tejota, do Partido Republicano da Ordem Social (PROS).
Neste primeiro mandato, Caiado nomeou pelo menos 22 parentes para funções públicas em Goiás de acordo com a Revista IstoÉ.
Em 2022, reelegeu-se mais uma vez no primeiro turno ao receber 1.806.892 votos (51,81%). Desta vez, seu vice seria Daniel Vilela, do MDB. O pré-candidato apoiou Jair Bolsonaro na eleição presidencial daquele ano e nutre uma postura crítica a Lula e ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde que entrou no mundo político.
Embora tenha apoiado Bolsonaro, Caiado criticou o ex-presidente durante a pandemia de Covid-19, especialmente a postura contra restrições e o isolamento social.




