Classificação de terrorismo pode atrapalhar investigações no Brasil, diz Gakiya

Em entrevista à TMC, promotor de Justiça também apontou impactos financeiros causados pela decisão americana

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(Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como terroristas, vai trazer impactos dos mais variados ao Brasil. De acordo com o promotor Lincoln Gakiya, pode afetar até as investigações contra o crime organizado em solo nacional ao atrapalhar a cooperação que já existe entre as instituições do Brasil e dos Estados Unidos. 

“Receio que a colaboração que já temos entre os países, seja através da Polícia Federal com as polícias norte-americanas, ou com o próprio Ministério Público de São Paulo, possa sofrer algum prejuízo”, declarou o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (MP-SP), em entrevista à TMC. 

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“Eu mesmo já estive nos EUA, em março deste ano, tratando com policiais do FBI e do DEA (Agência Antidrogas dos Estados Unidos, na sigla em inglês)”, disse Gakiya, que reforçou o trabalho em conjunto entre a PF e o MP e as entidades policiais americanas. 

Isso pode chegar ao fim, na avaliação do promotor, porque as investigações poderiam ser direcionadas, a partir de agora, para o Departamento de Estado americano e as Forças Armadas do país. “O Departamento de Estado passa a tratar do tema como assunto de defesa nacional, e não mais como assunto policial. Neste caso, quem tem competência para investigar é a CIA e as Forças Armadas.”

Impactos financeiros

Gakiya também enfatizou os potenciais impactos financeiros da decisão dos EUA. “Quando os EUA classificam o PCC e CV como organização terrorista, podemos ter alguns efeitos que a população desconhece, mas que pode sentir com o aumento do custo de taxa bancárias, por exemplo.” 

“Há um reflexo financeiro, já que pode haver sanções para qualquer pessoa e instituição que, de alguma maneira, tiveram negócios ligados ao PCC e ao CV. Até transações com instituições que atuam no sistema bancário norte-americano. Praticamente todos os bancos têm negócios com o sistema dos EUA. Estão todos ligados. Então, a partir desta decisão, os EUA podem aplicar sanções a algumas instituições que eles entendem que ajudaram o PCC ou o CV, seja com abertura de contas ou aplicações em fundos. Tudo isso é possível.”

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