Os Estados Unidos sairão do Irã “muito rapidamente” e poderão retornar para “ataques pontuais”, se necessário, disse o presidente Donald Trump à agência Reuters nesta quarta-feira (1/04), horas antes de pronunciamento à nação.
Trump também afirmou que expressará seu desgosto com a Otan pelo que considera a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã. Ele disse que está “realmente” considerando uma tentativa de retirar os Estados Unidos da Otan.
Questionado sobre quando os Estados Unidos considerariam a guerra com o Irã encerrada, Trump declarou: “Não posso dizer exatamente… vamos sair muito rapidamente”.
Ele disse que a ação dos EUA garantiu que o Irã não terá uma arma nuclear. “Eles não terão uma arma nuclear porque são incapazes disso agora, e então eu irei embora, e levarei todos comigo, e se for preciso, voltaremos para fazer ataques pontuais”, afirmou Trump.
Os comentários de Trump foram feitos poucas horas depois que seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, se recusou a reafirmar o compromisso dos EUA com a defesa coletiva da Otan, um conceito que está no centro da aliança.
Há muito tempo, os especialistas alertam que as falas que sugerem que os Estados Unidos podem não honrar seus compromissos com a Otan podem incentivar a Rússia a testar a prontidão dos membros da aliança para fazer cumprir o Artigo 5 do pacto que a fundou, que estabelece que um ataque armado contra um Estado membro é um ataque a todos.
Repercussão
A França foi um dos primeiros membros europeus da Otan a reagir a comentários semelhantes de Trump ao “Daily Telegraph”, do Reino Unido, publicados no início do dia, nos quais Trump chamou a Otan de “tigre de papel” e disse que estava considerando sair da aliança depois que os aliados não apoiaram a ação militar dos EUA contra o Irã.
“Deixe-me relembrar o que é a Otan”, disse a ministra do Exército da França, Alice Rufo, embora sem abordar diretamente a ameaça de Trump de deixar a Otan. “É uma aliança militar preocupada com a segurança dos territórios na área euro-atlântica. Não se destina a realizar uma operação no Estreito de Ormuz, o que não está de acordo com o direito internacional.”
Na Polônia, o ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, pediu calma. “Espero que, em meio às emoções que cercam o presidente dos Estados Unidos hoje, chegue um momento de calma”, disse ele. “E por quê? Porque não existe Otan sem os Estados Unidos, e é do nosso interesse que essa calma aconteça. Mas também não há poder norte-americano sem a Otan.”
A Otan não fez comentários imediatos.
Um porta-voz do governo alemão, quando solicitado a reagir ao comentário de Trump, disse que a Alemanha continua comprometida com a Otan. “Não é a primeira vez que ele faz isso e, como é um fenômeno recorrente, você provavelmente pode julgar as consequências por si mesmo”, disse o porta-voz em uma coletiva de imprensa regular do governo, falando de Trump.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que agiria no interesse de seu país, independentemente do “barulho”. A instabilidade causada pela guerra do Irã significa que o Reino Unido deveria se concentrar em laços econômicos e de defesa mais estreitos com a Europa, disse ele.
Por Reuters




