O Reino Unido entrou em uma nova fase do debate sobre redes sociais: a de saúde pública. O alerta veio da Academy of Medical Royal Colleges, órgão que reúne 23 instituições médicas do Reino Unido e da Irlanda, ao afirmar que o impacto das plataformas sobre crianças e adolescentes pode ser tão nocivo quanto o cigarro ou a falta do cinto de segurança.
A avaliação foi enviada ao governo britânico após consultas com centenas de médicos. Muitos relataram atender semanalmente jovens com ansiedade, automutilação e problemas de saúde mental ligados à exposição a conteúdos violentos, pornográficos ou extremistas online.
O argumento central é que bastam poucos segundos para uma criança acessar conteúdos violentos ou prejudiciais. O debate, porém, já ultrapassou a esfera médica e entrou de vez na política.
O primeiro-ministro Keir Starmer tenta conduzir o tema com cautela, promovendo consultas públicas antes de decidir se o país deve restringir ou proibir redes sociais para menores. Diferentemente da França, que avança em propostas mais rígidas, o governo britânico ainda busca uma solução intermediária.
Possíveis rivais dentro do Partido Trabalhista passaram a defender publicamente medidas mais duras, incluindo Wes Streeting, que argumenta que redes sociais deveriam receber tratamento semelhante ao tabaco em termos de restrição.
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