O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB-CE) durante agenda cumprida em Fortaleza. As declarações foram dadas nesta quarta-feira (01/04) em entrevista à TV Cidade. Lula afirmou que o cearense é “um pouco destemperado” e que tem “divergência” com seus “rompantes”.
O petista manifestou desconforto com Ciro Gomes, político com quem manteve relação próxima no passado. Os dois se tornaram adversários em disputas eleitorais. O presidente teceu comentários sobre o temperamento e a trajetória política do ex-aliado.
“Ele sonhava em ser candidato à presidência da República, foi algumas vezes e perdeu algumas vezes, e ele acha que eu que não quis que ele fosse, foi o povo. […] Mas, continuo achando que o Ciro pode prestar bons serviços ao Brasil”, afirmou Lula.
O presidente declarou ainda: “O Ciro é muito destemperado, aquela pessoa que acha que pode falar tudo, que pode ofender todo mundo, que pode ser melhor que todo mundo. […] Ele é assim, e isso na política não dá resultado”.
Lula negou que houve um rompimento entre eles. O petista afirmou ter boas recordações do período em que Ciro foi ministro da Integração Nacional no terceiro mandato. Disse que sempre teve muito respeito por Ciro Gomes, apesar dos ataques recebidos durante a eleição de 2022.
Crítica às mudanças de partido
O presidente apontou outro aspecto que considera negativo na trajetória de Ciro Gomes. Para Lula, a mudança frequente de partido revela uma “promiscuidade na política” que precisa acabar. O presidente defendeu que as pessoas deveriam fazer parte de apenas uma sigla em sua trajetória, como ele próprio fez.
As críticas de Lula ocorrem em um contexto de distanciamento político entre os dois. Ciro Gomes foi adversário do petista na eleição de 2022. O cearense se posicionou como alternativa à polarização entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). Durante aquela campanha, atacou fortemente o presidente.
Na eleição de 2022, Ciro Gomes terminou a disputa em quarto lugar no primeiro turno. Ficou atrás da então senadora Simone Tebet (MDB-MS). A emedebista posteriormente apoiou Lula no segundo turno. Ela se tornou ministra do Planejamento e Orçamento.
As críticas de Ciro a Lula concentram-se principalmente em ligações com esquemas de corrupção. O cearense cita os escândalos revelados na Operação Lava Jato e Mensalão. Aponta também o uso da máquina pública para manter a base eleitoral.
Na área econômica, Ciro sustenta que os governos liderados por Lula deixaram de enfrentar problemas estruturais do país. Ele cita a dependência de commodities. Criticou o que considera como concessões ao sistema financeiro. Pontua que o modelo de governo adotado pelo PT priorizou a manutenção do poder por meio de alianças políticas amplas, em detrimento de reformas mais profundas.
Ciro Gomes também acusa Lula de adotar um discurso populista. Afirma que o petista reforça a polarização política no país. Segundo Ciro, o embate constante com Bolsonaro dificulta a construção de alternativas fora desse eixo. Isso mantém o debate público restrito aos dois grupos.
Ciro Gomes não se pronunciou sobre as declarações do presidente.
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