Autoridades do Irã anunciaram nesta quinta-feira (02/04) que o país desenvolve com o Sultanato de Omã um protocolo para gerenciar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A passagem está bloqueada desde 28 de janeiro, quando o Irã sofreu ataques de Estados Unidos e Israel. O corredor marítimo é responsável por cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo.
O vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou à agência estatal russa Sputnik que o protocolo seria aplicado após o fim da guerra. Teerã informou que o estreito permanecerá fechado a longo prazo para navios ligados a EUA e Israel, mesmo após a eventual implementação do acordo com Omã.
Nesta quinta-feira (02/04), diplomatas de mais de 40 países participaram de uma reunião virtual para discutir formas de reabrir a rota marítima. O Reino Unido liderou o grupo de cerca de 40 nações que exigem a “reabertura imediata” e incondicional do estreito. O governo britânico acusou o Irã de “manter a economia mundial como refém”.
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Países do Golfo Pérsico, reunidos no Conselho de Cooperação do Golfo, solicitaram ao Conselho de Segurança da ONU autorização para o uso da força para liberar a via marítima. Medidas econômicas e sanções estão sendo consideradas pelas nações que exigem a reabertura.
Os Estados Unidos não participaram do encontro virtual. A ausência ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que garantir a segurança da via marítima não é responsabilidade americana. Em discurso na noite de quarta-feira (01/04), Trump disse que países dependentes do petróleo da região “devem cuidar disso”. O presidente também criticou aliados europeus por não apoiarem a guerra e voltou a ameaçar retirar os EUA da Otan.
Ataques e bloqueio
O Estreito de Ormuz está bloqueado desde 28 de janeiro, data em que o Irã foi atacado por Estados Unidos e Israel. O conflito entre as nações iniciou em 28 de fevereiro. Desde então, foram registrados 23 ataques diretos a embarcações comerciais na região, com 11 tripulantes mortos, segundo a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence.
Ao longo de março, o Irã afirmou que a passagem estaria liberada para alguns navios, desde que não fossem de inimigos do regime ou de aliados de EUA e Israel. Ataques iranianos a navios comerciais e a ameaça de novos ataques praticamente interromperam o tráfego no Estreito de Ormuz.
O fluxo de navios caiu drasticamente. Os poucos petroleiros que ainda cruzam a área são, em sua maioria, embarcações que tentam driblar sanções para transportar petróleo iraniano. A Rússia, aliada de Teerã, afirma que o Estreito de Ormuz está aberto para suas embarcações.
O corredor marítimo estratégico está localizado entre o Irã e o Sultanato de Omã. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao oceano. O fluxo é controlado tanto pelo Irã quanto pelo Sultanato de Omã, que detém um exclave na costa sul do local.
O bloqueio tem causado impactos mundiais no preço de combustíveis e no suprimento de fertilizantes. A paralisação do fluxo de navios tem gerado preocupação internacional crescente, prejudicando as exportações dos países do Golfo Pérsico.
Embora os EUA não importem petróleo e gás diretamente via Ormuz, a diminuição da oferta causa impacto direto no mercado americano. O aumento do preço do barril no mercado global eleva os preços de gasolina, transporte e mercadorias para os eleitores americanos, ameaçando a popularidade do presidente.
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