Investigação rastreia R$ 10 bi de Vorcaro em paraísos fiscais, diz jornal

PF apura fundos do banqueiro no exterior em inquérito sobre gestão fraudulenta no BRB e venda de carteiras do Banco Master em 2025

Por Redação TMC | Atualizado em
Daniel Vorcaro posa para foto e veste camisa branca
Daniel Vorcaro, dono e fundador do Banco Master (Foto: Banco Master/Divulgação)

Investigadores rastreiam fundos no exterior ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, focando em paraísos fiscais, como Dubai, em meio a negociações de delação premiada. Estima-se que Vorcaro tenha R$ 10 bilhões fora do país, complicando as tratativas devido ao montante que precisará devolver. Essa frente de investigação foi concentrada no inquérito aberto em fevereiro, que apura suspeitas de gestão fraudulenta no BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal que apresentou proposta para aquisição do Master em março de 2025. A informação é do jornal O Globo.

Autoridades policiais identificaram o fluxo de recursos da rede de fundos associados a Vorcaro durante o período da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília. O trabalho investigativo examina operações realizadas em jurisdições com regulamentação financeira menos rigorosa. O rastreamento visa assegurar a devolução de ativos como contrapartida em um possível acordo de colaboração premiada.

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As autoridades analisam documentos diversos, incluindo informações obtidas por meio de auditoria independente que identificou falhas no processo de aquisição de carteiras de crédito com indícios de fraude do Master pelo BRB. Os investigadores também têm acesso ao conteúdo de nove aparelhos celulares pertencentes a Vorcaro, que contêm aproximadamente 8 mil vídeos e 400 GB de informações.

Valores de referência

Como revelou a colunista Malu Gaspar, interlocutores a par dos negócios do banqueiro estimam que ele tenha cerca de R$ 10 bilhões alocados fora do país. Esse montante elevado dificulta as tratativas, considerando o volume que Vorcaro necessitará restituir.

Acordos de delação premiada anteriores fornecem referências sobre os montantes que entram na mira dos investigadores. O doleiro Dario Messer, por exemplo, devolveu R$ 1 bilhão aos cofres públicos, mesma multa aplicada aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F. Já o banqueiro Eduardo Plass, responsável pela delação que atingiu o empresário Eike Batista, por sua vez, foi sancionado em R$ 300 milhões.

No caso da Odebrecht, as multas dos acordos dos 77 colaboradores, que somavam R$ 500 milhões, foram bancadas pela empresa. Somente a multa relativa ao empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente da companhia, por exemplo, foi de R$ 73,4 milhões. A multa de Emílio Odebrecht, por sua vez, foi de R$ 68,7 milhões.

O valor que Vorcaro terá que devolver constitui um fator que deve prolongar as negociações do acordo de delação. Em conversas preliminares, o banqueiro já teria manifestado desconforto com a possibilidade de desembolsar uma quantia muito elevada.

A investigação apura supostos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa relacionados à venda de carteiras de crédito classificadas como “insubsistentes” do Master ao BRB. O valor da operação foi inicialmente estimado em R$ 12,2 bilhões, mas pode alcançar R$ 17 bilhões.

O documento da auditoria responsabiliza 30 dirigentes do BRB, todos afastados pela instituição. A investigação tem em mãos ainda o conteúdo de nove celulares de Vorcaro, que reúnem cerca de 8 mil vídeos e 400 GB de dados.

Cronologia

O Banco Central barrou a operação em setembro de 2025. A liquidação do Banco Master ocorreu em novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez. A direção do BRB foi substituída no final de 2025, quando a nova administração iniciou a auditoria para investigar possíveis irregularidades.

Vorcaro prestou depoimento no fim de 2025. Vorcaro já assinou um acordo de confidencialidade com a PF e a PGR. A expectativa dos investigadores é que Vorcaro apresente os anexos da delação em até duas semanas.

O então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), também aparece nas investigações. Ibaneis deixou o cargo no início desta semana para se candidatar ao Senado.

Em depoimento no fim de 2025, Vorcaro afirmou que tratou com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a negociação envolvendo o Master e o BRB. Segundo o banqueiro, houve contatos durante o período das tratativas, embora não tenha detalhado o teor das conversas.

Ibaneis afirmou na ocasião que nunca falou com Vorcaro sobre a operação.

Vorcaro manteve interlocução com Ibaneis durante as negociações e relatava a pessoas próximas que havia construído uma rede de relações políticas em Brasília. Em conversas reservadas, dizia ter feito “fortes amigos” e afirmava que, sem esse tipo de apoio, não teria alcançado sua posição no mercado financeiro.

À Polícia Federal, o banqueiro afirmou que Ibaneis chegou a ir à sua residência. Em conversas privadas, relatava que, durante as negociações, o então governador teria buscado informações sobre seu histórico com aliados políticos e recebido avaliações positivas.

Se as negociações progredirem, pessoas próximas ao caso afirmam que o banqueiro precisará fornecer informações detalhadas sobre as operações realizadas fora do Brasil. Com o acordo de colaboração, Vorcaro indicaria aos investigadores a localização de seu patrimônio, e os recursos seriam bloqueados, estabelecendo o limite do que pode ser recuperado.

A complexa estrutura foi criada especificamente para dificultar o rastreamento dos recursos e a identificação dos verdadeiros beneficiários. Vorcaro teria interesse em acelerar o processo de delação para limitar o montante a ser devolvido e impedir que os recursos sejam esvaziados por gestores, investidores, credores e outros agentes que eventualmente tenham acesso aos fundos.

O BRB apresentou um pedido ao Supremo Tribunal Federal para que um eventual acordo de colaboração premiada relacionado ao Banco Master reserve valores para indenizar o banco por prejuízos sofridos na operação que envolveu a tentativa de aquisição do banco de Vorcaro pela instituição.

Antes de iniciar o processo de colaboração, Vorcaro vinha negando irregularidades e afirmando que estava à disposição da Justiça. A defesa do banqueiro foi procurada para comentar, mas não se manifestou.

Em entrevista ao Globo no mês passado, o atual presidente do BRB, Nelson de Souza, disse que trocou quase toda a cúpula da instituição, mantendo apenas dois diretores, sob alegação de que não teriam qualquer relação com o caso Master. O BRB foi procurado, mas não se manifestou.

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