Mesmo com a proibição do tribunal para gravações do julgamento do caso Henry, um canal do Youtube com mais de 300 mil inscritos fez a transmissão da íntegra de vários dias de testemunho, gravados por ângulos diferentes de dentro do plenário. Segundo advogados, esse conteúdo abre brecha para pedido de anulação do júri.
Esse canal conta com 354 mil inscritos, e o conteúdo já foi replicado por um influenciador, com mais 135 mil inscritos. Os vídeos já passam de 80 mil visualizações. Nos registros, é possível ver câmeras de diferentes ângulos posicionadas dentro do plenário, mostrando os testemunhos e até os jurados.
É mostrado também o nome da pessoa que seria responsável pelas gravações. O influenciador ainda divulgava o conteúdo em outras redes sociais e tinha uma sessão para membros pagantes.
Ressaltamos que a imprensa não foi liberada para entrar na sala onde acontecia o julgamento, nem fazer nenhum tipo de registro gravado.
A transmissão foi vetada pelo desembargador Joaquim Domingos De Almeida Neto, após requerimento do réu Jairo, sob a justificativa de que a ampla transmissão poderia “colocar em risco a imparcialidade dos julgadores, prejudicando o direito do réu a um julgamento justo”.
Advogados ouvidos pela TMC explicam que a sentença não garante a anulação do júri, mas abre brecha para o pedido de da defesa com base no cerceamento de defesa, podendo alegar prejuízo ao réu em conformidade com o art. 563 do código de processo penal.
Entramos em contato com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e em nota eles declararam que o TJRJ não está fazendo qualquer transmissão do julgamento considerando a decisão da Sétima Câmara Criminal. Questionamos as imagens do influenciador, e em resposta, eles disseram que não anula o júri.
O julgamento já é o mais longo da história do Rio de Janeiro, com mais de 10 dias de duração e 22 testemunhas.
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