A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro espera concluir neste fim de semana a proposta de acordo de delação premiada. O documento será apresentado à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República na próxima semana, segundo informação da colunista do jornal O Globo Malu Gaspar. A proposta inclui a oferta de pagamento de multas bilionárias.
Desde 19 de março, quando Vorcaro foi transferido da penitenciária federal em Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, os advogados se revezam diariamente no trabalho de preparação do acordo. As atividades incluem pesquisa e organização do conteúdo extraído do celular do ex-banqueiro. O aparelho foi apreendido e periciado pela PF. A defesa também busca documentos que podem servir como prova de corroboração e elabora os relatos que o dono do Master pretende fazer.
Uma força-tarefa com aproximadamente dez advogados foi montada para cumprir o prazo. Os profissionais estão divididos entre dois escritórios que atendem Vorcaro: o do criminalista José Luís Oliveira Lima e o do advogado Sergio Leonardo.
O material em preparação terá “dezenas” de anexos, segundo fontes envolvidas com o trabalho. A defesa planeja apresentar o conteúdo aos investigadores em uma reunião conjunta já na semana que vem.
A defesa baseia suas estimativas do cronograma na crença de que as informações oferecidas na delação serão impactantes. No cronograma da defesa e do próprio Vorcaro, a discussão sobre a proposta levaria no máximo duas semanas. Depois da homologação, que imaginam que seria rápida, os depoimentos ocorreriam em duas ou três semanas.
Vorcaro tem pressa para fechar o acordo. Ele teme que uma parte relevante do dinheiro distribuído por fundos mundo afora já esteja sendo retirada das contas secretas pelos próprios gestores, de acordo com fontes ligadas ao dono do Master. Essa rede de fundos foi montada para evitar o rastreamento.
Assim que ele indicar aos investigadores onde está seu patrimônio, os recursos serão bloqueados. Seria a forma de ele usar o dinheiro desviado para comprar a própria liberdade. Para conseguir um bom acordo, os recursos precisam estar disponíveis.
Segundo fontes familiarizadas com o caso, ainda haveria mais de R$ 10 bilhões espalhados pelo mundo. A fraude nas carteiras de crédito vendidas para o BRB é avaliada em R$ 12,2 bilhões. Há quantias bilionárias recebidas de fundos de pensão estaduais e municipais que estão sob investigação da Polícia Federal. Outras frentes de apuração em torno das fraudes podem revelar valores ainda não conhecidos.
O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro passado. Os recursos em posse da instituição estão sob o poder do liquidante indicado pelo BC, Eduardo Bianchini. Ele é responsável por vender os ativos do banco e organizar o quadro de credores. Bianchini calcula que pelo menos R$ 4,8 bilhões em bens e fundos de investimentos ligados a Vorcaro já teriam sido desviados antes da liquidação da instituição.
Entre os investigadores ouvidos pela equipe da coluna do jornal O Globo, o clima é o oposto ao da defesa. Há desconfiança de que Vorcaro não vai contar de imediato tudo o que sabe. Também há a certeza de que haverá embates em torno dos valores do ressarcimento e da multa a ser paga e dos benefícios que Vorcaro vai pleitear em troca da colaboração.
Para os investigadores, um tema que pode atrasar a negociação é o valor a ser devolvido. Vorcaro terá que indicar onde escondeu todo o patrimônio. Ele também terá que fazer uma proposta financeira tão agressiva quanto os rendimentos que oferecia a investidores que compravam seus títulos.




