O secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, Samuel Kinoshita, e o vice-presidente Geraldo Alckmin formalizaram nesta segunda-feira (13/04) o contrato de financiamento que viabiliza a participação do estado paulista na Parceria Público-Privada do Túnel Imerso Santos-Guarujá.
A operação de crédito, estruturada pelo Banco do Brasil com garantia da União, permitirá ao governo estadual aportar recursos na construção da passagem submersa que ligará Santos e Guarujá sob o canal portuário. O governador Tarcísio de Freitas não participou da cerimônia de assinatura realizada em São Paulo. Samuel Kinoshita representou o governo estadual no evento.
O projeto demandará investimentos totais de R$ 6,8 bilhões. O consórcio Mota-Engil, vencedor do leilão de concessão, investirá R$ 1,6 bilhão e ficará responsável pela construção, operação e manutenção da estrutura. São Paulo assumirá o crédito suplementar de R$ 2,57 bilhões. A Autoridade Portuária de Santos, vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, comprometeu-se com outros R$ 2,57 bilhões.
“O governo federal fará sua parte e financiará R$ 2,57 bilhões para o governo de Estado, com 23 anos para pagar”, afirmou Alckmin durante o encontro. A construção terá início ainda em 2026. O cronograma estabelece 48 meses para conclusão. A entrega está prevista para 2030.
A obra integra o PAC (Plano de Aceleração ao Crescimento) federal. O empreendimento representa o maior investimento individual do programa. O túnel visa solucionar problemas de mobilidade regional e logística portuária na Baixada Santista. Trata-se do primeiro túnel imerso da América Latina.
A estrutura beneficiará 70 mil pessoas diariamente. O tempo de travessia entre as duas cidades será reduzido de 50 para cinco minutos. O túnel permitirá a passagem de carro, ônibus, caminhão, bicicleta e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
Samuel Kinoshita destacou que o projeto “teve um afinco grande do governador em conseguir parceiros internacionais”. O secretário elogiou a cooperação entre as esferas de governo: “Há sim necessidade de celebrarmos uma parceria boa para o Brasil, São Paulo e brasileiros que vivem aqui e na Baixada.”
Kinoshita complementou que, independente de questões políticas, o interesse do estado está em estabelecer mais parcerias benéficas para São Paulo.
Alckmin agradeceu a Tarcísio “pela boa parceria” e destacou o “espírito republicano” do acordo “em benefício da sociedade”. O vice-presidente mencionou outras obras em São Paulo que recebem recursos federais.
Segundo Alckmin, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) contribuiu com R$ 13,8 bilhões “para ampliar infraestrutura, gerar emprego e atrair investimento” no estado de São Paulo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também discursou sobre a parceria entre os governos. Sem mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Durigan afirmou que Lula rompeu com a lógica do governo anterior, que privilegiaria aliados políticos.
Durigan explicou que o atual presidente firmou um acordo para renegociação de dívidas dos estados. Isso atraiu a parceria deles com o governo federal, independentemente do partido político. “Precisamos deixar bons legados para o povo, repactuações com estados e municípios e agora a obra do túnel Santos-Guarujá”, afirmou Durigan.
Em março deste ano, o presidente Lula cobrou publicamente o governador de São Paulo. Durante evento realizado em Araraquara (SP), Lula pediu reconhecimento sobre a participação do governo federal em obras do estado, especialmente no túnel Santos-Guarujá.
“Eu só queria que o governo estadual reconhecesse: ‘Olha, isso aqui não é só meu, isso aqui é metade meu, metade do Lula'”, disse o presidente na ocasião. Lula complementou: “A metade dele [Tarcísio] somos nós que damos também, porque nós financiamos.”
Sem citar ninguém nominalmente durante o evento em Araraquara, Lula fez referência à ligação entre Tarcísio e Bolsonaro, mencionando “essa gente”. O presidente criticou obras paralisadas herdadas da gestão anterior.
“Da mesma forma que nós encontramos entre creche, escola, quase 6.000 obras paralisadas, e nós tivemos que fazer também todo um processo de reconstrução e estamos reconstruindo. Eu estou dizendo tudo isso porque agora há sempre o tempo da mentira, do sonho, das bobagens”, concluiu o presidente.
Quando a obra foi lançada, em fevereiro de 2025, o clima entre Lula e Tarcísio era de parceria. Com os dois juntos no evento de lançamento, o presidente e o governador trocaram gentilezas e evitaram farpas.
No leilão da obra, realizado em setembro de 2025, o presidente não compareceu ao evento. A ausência de Tarcísio na solenidade desta segunda-feira marca uma mudança no padrão de participação dos gestores em eventos relacionados ao túnel Santos-Guarujá.
As obras começarão ainda este ano. Durante os próximos 48 meses, o consórcio Mota-Engil executará a construção da estrutura submersa. Após a conclusão em 2030, o grupo seguirá responsável pela operação e manutenção do túnel.
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