O Guia Michelin Rio de Janeiro e São Paulo divulgou sua edição 2026 nesta segunda-feira (13/04). Dois restaurantes paulistanos, Tuju e Evvai, receberam três estrelas Michelin. O Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina a ter estabelecimentos com a classificação máxima do guia.
A cerimônia aconteceu no Belmond Copacabana Palace. Uma equipe internacional de inspetores especializados e anônimos conduziu as avaliações de forma independente. O processo seguiu cinco critérios: qualidade dos produtos, domínio do sabor e técnicas culinárias, personalidade do chef na cozinha, relação qualidade/preço e consistência entre visitas.
Ivan Ralston, do Tuju, enfatizou o trabalho coletivo. “Temos a mania de personificar os feitos apenas na figura do chef. Parabenizo também a equipe. O chef é tão bom quanto a equipe“, afirmou. Katherine Cordás, pesquisadora de gastronomia e cultura que trabalha no Tuju, acrescentou: “Esse reconhecimento mostra que o Brasil deve, e pode, chegar onde e como quiser”.
Luiz Filipe Souza comanda o Evvai junto com a chef confeiteira Bianca Mirabilli. “É um dos momentos mais lindos da gastronomia brasileira. Agradeço a todos que já passaram pelo Evvai e sou agradecido pela escola que criamos”, declarou durante a premiação.
Estabelecimentos com uma estrela “utilizam ingredientes de primeira qualidade e preparam pratos de sabores diferenciados, com um padrão consistentemente elevado”, segundo as definições do guia. A classificação de duas estrelas reconhece locais onde “a personalidade e o talento da equipe se refletem em pratos executados com mestria, com uma cozinha simultaneamente refinada e inspiradora”.
A categoria de três estrelas representa a mais alta distinção possível. Os restaurantes que alcançam esse patamar costumam ter chefs no auge da profissão, “capazes de elevar a culinária à categoria de arte, com pratos destinados a tornar-se clássicos”. As estrelas são atribuídas aos restaurantes e não aos chefs individualmente.
O Madame Olympe, do Rio de Janeiro, recebeu sua primeira estrela Michelin. O estabelecimento é comandado por Claude Troisgros. O restaurante homenageia a mãe do chef e evoca o Olympe, que funcionou no Jardim Botânico. Especializado em menu degustação, a casa é liderada no dia a dia pela chef Jéssica Trindade. O Rio de Janeiro passou a contar com seis restaurantes com uma estrela Michelin na edição 2026.
Na categoria de duas estrelas, o Rio de Janeiro mantém Oro e Lasai. São Paulo conta com o D.O.M. nessa classificação. Esses três estabelecimentos conservaram suas posições em relação à edição anterior.
Entre os restaurantes com uma estrela no Rio de Janeiro, além do Madame Olympe, figuram Casa 201, Oseille, Oteque, MEE e San Omakase. Em São Paulo, a lista inclui Kanoe, Ryo Gastronomia, Jun Sakamoto, Kan Suke, Kinoshita, Maní, Picchi, Fame Osteria, Kazuo, Kuro, Murakami, Tangará Jean-Georges e Oizumi Sushi.
Três restaurantes paulistanos renovaram a Estrela Verde. Tuju, A Casa do Porco e Corrutela mantiveram o reconhecimento por suas práticas sustentáveis. A distinção havia sido recebida anteriormente em 2024.
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A categoria Bib Gourmand destaca estabelecimentos com excelente relação entre qualidade e preço. Seis novos integrantes foram incluídos. Cinco deles estão em São Paulo: Jiquitaia, Manioca JK, Ping Yang Thai Bar & Food, Tabōa Cozinha Artesanal e Tanit. O sexto restaurante foi o Koral, situado no Rio de Janeiro.
Sete casas estrearam na lista de restaurantes Selecionados. São Paulo concentrou seis novidades: Bar da Dona Onça, Grotta Cucina, Kureiji, Makoto San, Simone e Sushi Vaz. O Rio de Janeiro teve uma estreia com o Yayá Comidaria.
A edição 2026 introduziu o Exceptional Cocktails Award. Anderson Oliveira, mixologista do D.O.M. em São Paulo, levou a honraria inaugural. “Todo dia saio de casa querendo satisfazer os clientes. Quero que eles perguntem que sabores são esses. Junto da equipe, pensamos em harmonizar os sabores”, declarou. O guia já reconhece a coquetelaria de países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Irlanda.
O Guia Michelin completou uma década de presença no Brasil em 2025. A seleção com restaurantes estrelados foi lançada no país em 2015. As avaliações foram pausadas a partir de 2020 e retomadas em 2024, após a assinatura de um contrato de três anos junto às prefeituras do Rio de Janeiro e São Paulo. O valor total do contrato alcançou R$ 9 milhões.
O Guia Michelin global comemorou em 2025 seu 125º aniversário. A publicação nasceu em 1900 na França pelas mãos dos irmãos André e Edouard Michelin. O material original oferecia informações como mapas, oficinas para troca de pneus, postos de combustível e uma lista de lugares para comer ou passar a noite. Com o tempo, o guia se especializou na avaliação de restaurantes.




