Dormir mal aumenta o risco de infarto e AVC? Entenda a relação

A privação do sono eleva os níveis de hormônios do estresse, causando hipertensão e sobrecarga no sistema cardiovascular

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Homem boceja durante sono da cama
(Foto: gpointstudio/Magnific)

Ter uma noite de sono ruim não causa apenas cansaço e irritação. Para o sistema cardiovascular, a privação do descanso é um fator de risco direto. Segundo o cardiologista Dr. Fernando Ribas, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, o sono de qualidade é o momento em que o organismo equilibra processos vitais.

“O sono é uma das bases da existência, ao lado da boa nutrição, atividade física e redução do estresse”, afirma o médico.

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Por que dormir mal aumenta a pressão?

Quando não dormimos o suficiente ou enfrentamos interrupções causadas por estresse e luz, o corpo permanece em estado de alerta. O médico explica que, durante um sono reparador, ocorre uma queda natural da pressão, mas a insônia interrompe esse ciclo. “A falta de sono aumenta os mediadores adrenérgicos, como cortisol e adrenalina, que elevam a pressão arterial e a frequência cardíaca”, destaca Ribas.

Essas substâncias provocam:

  • Retenção de sódio: dificultando o controle da hipertensão.
  • Aumento do tônus dos vasos: as artérias ficam mais rígidas, elevando o esforço do coração.
  • Risco de eventos graves: a exposição contínua a esses hormônios aumenta as chances de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

Sinais de alerta: a apneia do sono

Um dos grandes vilões da saúde cardíaca é a apneia, que interrompe a respiração várias vezes à noite. O Dr. Fernando alerta para as consequências estruturais: “A apneia do sono pode causar hipertensão pulmonar, que é o aumento da pressão nas artérias do pulmão, algo que conseguimos detectar via ecocardiograma”.

Os principais fatores de risco para essa condição incluem obesidade, circunferência de pescoço elevada e o consumo de álcool ou sedativos antes de dormir.

Como praticar a “higiene do sono”

Para proteger o coração, a recomendação é dormir entre 7 e 8 horas por noite, garantindo a liberação de melatonina, o hormônio que promove o relaxamento das artérias. O especialista reforça que pequenos ajustes na rotina fazem a diferença: “É preciso reduzir a exposição a telas, como celular e TV, e criar um ambiente escuro e silencioso para que o corpo entenda que é hora de desacelerar”.

Orientações práticas para um sono reparador:

  1. Desconecte-se: desligue aparelhos eletrônicos pelo menos uma hora antes de deitar.
  2. Prepare o ambiente: mantenha o quarto escuro e com temperatura agradável.
  3. Crie um ritual: troque o agito por uma leitura ou música relaxante.

“Cuidar do sono é cuidar da longevidade do seu coração”, finaliza o cardiologista.

Leia mais: 10 dicas simples para dormir melhor e acordar com mais disposição

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